Um Imenso Cabaré

Houve uma época em que vivi plenamente o teatro. Além de fazer parte do grupo e ali, ler, escrever, conversar, ensaiar e encenar, aprendíamos muito. Pra isso, como estratégia, o Zé Maria nos levava sempre ao teatro.


Uma das peças, assistimos diversas vezes e cada vez que eu a assistia gostava ainda mais: chamava-se Dos Seios Dessa Mãe Gentil.


A peça, que parecia um daqueles mega espetáculos da Broadway, trazia esquetes rápidos e muito bem criados que, com muito humor, inteligência e criatividade, mostrava e criticava o contexto da Curitiba e do Brasil daquela época. Paulinho Maia e Juba Machado faziam parte da troupe.


Lembro do duelo de Maria Bethania e Simone cantando juntas, Começaria Tudo Outra Vez, cada uma com trechos de sua gravação da música de Gonzaguinha. Era Hilário. E de uma Gal Costa, alucinada, de olhos arregalados, cantando na ponta dos pés descalços, correndo de ponta a ponta, o palco do Guairão, dando paradas súbitas, quando chegava na beira e a ponto de desabar lá de cima.


Cenários mínimos e fantásticos, figurinos coloridos e pertinentes, textos bem escritos e interpretações, som e iluminação magistrais, faziam com que me perguntasse: Isso tudo foi mesmo feito aqui?


Um detalhe que não pode ser esquecido: Gilda, assistindo a peça, também várias vezes, sentada num canto, como uma dama, e adorando, na primeira fila do Guaírão.

Um grande espetáculo de Antônio Carlos Kraide, que transformou o teatro num imenso cabaré.


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