Trás-o-Morro

Naqueles tempos, apesar de estarmos veraneando em Guaratuba, tínhamos feito a travessia Guaratuba-Caiobá, que deveria ser Guaratuba-Matinhos, já que Caiobá é apenas um balneário de Matinhos, mas que o correto mesmo seria Travessia Guaratuba-Guaratuba, já que o limite das duas cidades é cerca de uns dois quilômetros do Ferry Boat, quase que diariamente.


Caiobá, que sempre vi com certo ranço, se mostrou, bonita, agradável e um lugar de gente educada. Nunca disse ou respondi bom dia pra tanta gente como lá. É impressionante. Absolutamente todos, na rua, na praia, por tudo, cordial e sorridentemente, dão bom dia, naquele balneário.


Tínhamos ido religiosamente à Praia Mansa, pra Raquel treinasse, justamente pela característica do mar, já delatada pelo nome da praia.


O que divide a Praia Mansa e a Praia Brava, é o conhecido, pelo bem e pelo mal, Morro do Boi. Deixando o mal de lado, é nele que se encosta o famoso Edificio Mapi, do final dos anos 50, ícone da Arquitetura Moderna no Paraná, um complexo projetado por Elgson Ribeiro Gomes, engenheiro e arquiteto catarinense, um dos responsável pelo modernismo no Paraná.


Na Praia Mansa, Raquel passou a usar como baliza, uma construção que observamos, atrás do Morro do Boi, totalmente impensável nos dias de hoje, num tempo de mimimi: uma casa moderna, trepada no alto de enormes pedras, rente ao mar.


Naquele dia, graças ao mar agitado que deixou a Praia Mansa, brava, Raquel não pôde entrar no mar e então aproveitamos pra passear pela praia e fomos conferir, de perto, a tal casa sobre a pedra.


A caixa de concreto, com inúmeras vigas que despontam pelas paredes, com enormes panos de vidros desfraldando o mar, que quebra suavemente aos seus pés, descobri depois, é a Casa Guido Weber, projetada em 1965, por Luiz Forte Netto.


Na casa, que se encontrava em reforma, feita por um escritório de Curitiba e por isso, tava parcialmente oculta por um tapume, dava pra ver o acréscimo de uma escada externa circular de concreto, ligada à ela por uma pequena passarela e algum fechamento com a fixação de placas cimentícias.


A casa fica relando o morro e seu acesso é feito por uma ruela sem saída, que descobrimos depois, é a própria Avenida Atlântica que nasce ou morre ali.


Caminhando pela linda ruela, na verdade, uma avenida, além das enormes pedras com a casa em cima, há diversas outras casas justapostas, estas encostadas nos fundilhos do morro.


Tirando uma num tom de azul, quase inexistente, azul que não há, mais simples, de madeira, de pescador, todas são de alto padrão, umas bonitas e outras nem tanto, e com uma vista fantástica: a Ilha da Tartaruga à esquerda e a Praia Mansa à direita, num primeiro plano, Guaratuba, num segundo plano e o Oceano Atlântico, com planos a perder de vista, ao fundo.


Uma daquelas casas bonitas chamou minha atenção. Se tivesse jogado e ganhado na Mega Sena da Virada, daria um jeito de comprá-la na hora, mesmo que não

tivesse à venda.


Tem um ar bucólico de anos 50 ou 60, bem desenhada, bem construída e bem conservada. Com muitas janelas, texturas e muito bom gosto, é daquelas casas que, quando criança, ficava olhando e pensando, um dia será minha. Acho que quando adulto também...


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