Tirando Poeira do Meu Coração

Caminhando pelo centro da cidade à noite, esses tempos, me bateu uma saudade do pão com bolinho do Álvaro.


Era um endereço mítico. Um lugar parado no tempo: móveis de fórmica gasta, banquetas cromadas enferrujadas, assentos de courvin rasgados e confortáveis.


Entrávamos contornado o balcão, passando pelas costas dos guarda-pós de todas as cores, até chegarmos na ilha central, que ficava no canto, meio que dentro do ambiente interno, mas fora o suficiente, pra não atrapalhar o fluxo do serviço.


A Tribuna do Paraná ficava destrinchada em vários lugares. Cada um lia uma página e depois, sem exceção, trocava com o outro, sem sessão, pra ler outra seção.


Os pedidos de sanduíche, bolinho, pão com bolinho ou o nomeado de Monstro, chegavam rapidamente. Feitos, no capricho, por um pequeno e fiel exército nipônico na retaguarda, tudo aquilo ali, era a coisa mais deliciosa do mundo.


O Álvaro, de uma simpatia tímida e de um profissionalismo espantoso, que não anotava nada e tudo vinha certo, mudou daquele endereço tradicional, onde construíram mais um edifício arto.


O novo endereço da Lanchonete Montesquieu, que pra mim sempre foi Álvaro, é na Alferes Poli, 646, a uma quadra do nosso antigo e sagrado ponto de encontro.


E lembrei de estar sobre aquelas mesmas calçadas de petit pavê, pelas ruas com tênis furado e com o guarda-pó cor Camelo do Cefet pendurado no ombro, das risadas do grupo caminhando junto, cantando: Quando eu me lembro do cheiro do mato...


E parando nos pontos de ônibus pra que cada um pegasse o seu. Éramos então todos livres, leves e soltos. Sem medo, sem dinheiro, sem celular e sem preocupações, somente com um belo futuro pela frente...

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