Tiradentes

Nossa estreia no grupo de teatro do Cefet foi com Arena Conta Tiradentes de Augusto Boal e Gianfranceso Guarnieri.


Nosso Tiradentes não era mineiro, era feito por Paulo, um polaco paulistano. A Mari, a Maria, o Júlio, o finado Francisco e outros amigos participavam comigo, trocando de papéis, ora como inconfidentes, ora como guardas.


Eu, além de um bêbado caindo de bêbado, que dizia com a boca mole: o peixe morre pela boca, também fazia, com cartola, capa preta e dedo em riste, Silvério dos Reis, o traidor, o judas da Inconfidência mineira.


O final da peça, que aparece na fotinha, mostrava o julgamento do mártir.


Todos alinhados no palco, Tiradentes ao lado dos guardas em pé Sandra, Doroti e Jorge, com quepe na cabeça e as mãos pra trás.


Momento solene: a certa altura, o juiz feito pelo Marlon, conclamava Claudio Manoel da Costa. Chamava uma vez, chamava duas vezes, chamava três vezes e nada.


Essa era a deixa pra Jorge dizer: Claudio Manoel da Costa, faleceu excelência, suicidou-se na prisão no dia 4 de julho.


O problema é que, apesar desse ser seu único texto, Jorge, não decorava o dito cujo e a cada noite, inventava uma data diferente: suicidou-se na prisão no dia 5 de maio, suicidou-se na prisão no dia 3 de abril, suicidou-se na prisão no dia 8 de agosto...


Ficávamos ali atentos, esperando o que ia sair e prontos pra não rir. Era difícil, mas estávamos preparados. Nosso diretor, José Maria Santos, deixava sempre bem claro nos ensaios: Porra, isso aqui não é teatrinho de colégio de freira, porra!! A saudade mora dentro da gente...


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