Terceirão

Pra mim era um recomeço. A oportunidade de encaminhar minha vida e encerrar de uma vez o segundo grau, depois de me complicar todo no curso técnico no Cefet, e mirar no vestibular, pensando em arquitetura, como imaginava desde criança.


Levantava cedo, às vezes me dava ao luxo de ir de Seletivo, um ônibus pequeno e que, como diz o nome, selecionava quem tava a fim de pagar mais do dobro da passagem pra ir sentado numa das almofadinhas, escutando boa música e pedindo pra parar, ainda sentado, apenas apertando o botãozinho escondido numa haste chic cromada, estrategicamente situada ao lado de cada banco.


No meu caso, gostava mesmo porque me deixava na Vicente Machado, exatamente na frente do cursinho. Saudade daquela sede antiga, onde o assoalho chacoalhava conforme os vestibas, cada um com a mítica bolsa azul marinho sob o braço, seguiam o ensalamento ditado pela tabela de horário, renovada a cada semana.


Cael, Bervique, Gilberto, Geraldo, o Coronel, Ari e tantos outros, assumiam o comando daquela multidão de jovens em busca de um futuro.


Ali conheci amigos que mantenho perto do coração até hoje como o Mauricio, a Cíntia, a Grace, o Carlos e a Raquel.


A propósito, foi ali, numa de suas velhas salas de pé direito alto, a primeira vez que ouvi falar de um tal curso chamado Comunicação Visual, o qual me mantém, até hoje, na estrada como designer.


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