Tá Nevando!

Há quarenta e seis anos, naquela madrugada fria, em meu quarto customizado, na nossa casa da panificadora, no bairro do Seminário, em Curitiba, dormia o sono dos justos, quando Paulo, meu finado irmão, entrou esbaforido com uma grande bola branca nas mãos, quase do tamanho de uma daquelas de boliche, dizendo que aquilo era gelo e que lá fora tinha muito mais, pois tava nevando.


Minha primeira reação foi não acreditar e continuar dormindo. A segunda foi sair correndo, descalço e de pijama pra conferir o que aquele maluco tava me dizendo. E Era verdade!


O resto do dia foi brincar na neve e viver aquilo que parecia em sonho nunca sonhado. Não que eu não queria conhecer a neve. É que nunca a imaginaria, que não caia desde 1928, caindo ali em flocos no nosso quintal.


Eu e meus irmãos e primos e vizinhos aproveitamos muito. Marta, minha irmã que tinha ido pro Rio de Janeiro, numa viagem a qual eu não fui convidado, contentou-se em ver os slides, que era o filme que Zito, meu irmão mais velho, tinha, por sorte, na Yashica, naquela manhã.


As fotos mostram eu e Gusto, meu outro irmão já falecido, vivendo aquele sonho. O mesmo que no dia seguinte se transformou num pesadelo, quando uma devastadora geada, fez o Paraná deixar de ser um grande pote de café pra virar, na sequência, um grande frasco de óleo de soja, fazendo com que Rodovia do Café virasse apenas um nome.


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