Sonhos

Umas das coisa mais malucas que passam por nossas cabeças é o tal do sonho. Imprevisíveis e independentes, vêm e vão e se repetem ao seu bel prazer e muitas vezes, por mais maravilhosos que sejam, abrimos os olhos e os danados simplesmente somem no ar.


Raras vezes lembramos deles e nestes dias, gostamos de contá-los pra todo mundo. Gusto, meu irmão, detestava ouvir o sonho dos outros. Dizia que cada um deveria ficar com o seu, por mais absurdo que ele fosse, pois, na opinião dele, além de não ter fundamento nenhum, sonhos são algo muito pessoal.


Gosto de sonhar e de contá-los. Concordo com o Gusto: por mais loucas que sejam, eles são mesmo personalizados. Cada um tem o seu. Ninguém sonha o sonho de outra pessoa.


Na maioria das vezes, sou daquele tipo que abre os olhos e puff, o sonho se desmaterializa diante dos meus olhos abertos e incrédulos. Por mais que os feche novamente e tente recuperá-lo, não consigo fisgá-lo novamente nem com uma tarrafa.


Algumas vezes, entretanto, sonho e me lembro do sonho e em alguns casos, nunca mais esqueço dele. Como este que tive quando ainda era criança e contrariando a opinião que Gusto tinha, vou contar pra quem quiser ouvir.


Eu era criança. Tava em Siqueira Campos, minha terra natal, no estádio do Pindorama Futebol Clube, onde meu pai foi treinador do time, muito tempo antes de eu nascer.


O detalhe é que nunca fui naquele estádio. O máximo que me aproximei dele é na distância em que esta antiga foto dele foi tirada.


No meu sonho era domingo à tarde, o estádio tava lotado, talvez mais do que jamos teve algum dia. Meu pai e eu, assistimos ao jogo e quando a partida acabou, com a multidão em movimento, me perdi do meu pai.


Naquela marafunda toda não o avistava mais e eu ia ficando cada vez mais nervoso e com medo, pois não saberia voltar pra casa sozinho.


A multidão foi diminuindo e um homem se aproximou de mim, dizendo ser meu pai. Ele era idêntico ao meu pai, que no meu sonho usava bigode, como usava antes de eu nascer.


O homem que se dizia meu pai, tinha apenas algo que o diferenciava de meu pai: ele era ruivo. Tinha os cabelos e o bigode iguais, mas eram ruivos.


Lembro que mesmo a contragosto, tive que ir com ele, pois à essa altura o estádio já tava quase vazio e ao caminhar com aquele meu pai estranho, ruivão, pelas ruas de paralelepípedo de Siqueira, acordei.


Sonhar é muito bom, pois mesmo quando o sonho é ruim ou triste, dá uma sensação boa de saber que nada daquilo é verdade.


O Gusto que me desculpe, mas aproveitando que ele não tá mais aqui pra fazer careta pras narrativas dos meus sonhos, quando me lembrar deles ou enquanto não esquecer dos que já tive, vou continuar contando.


Bem, pelo menos enquanto houver alguém pra ouvir…


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