Seis e Meia

Uma grande revolução aconteceu em Curitiba, e em algumas outras cidades, nos anos setenta. Por algumas semanas, aquilo mexeu com minha família inteira.


Gusto, meu falecido irmão, minhas irmãs, minhas primas e eu, cada um com uma pastinha embaixo do braço, vindos da escola, do cursinho, da faculdade ou do trabalho, acabávamos nos encontrando, todo fim de tarde, naquela revolução cultural chamada: Projeto Pixinguinha.


Num Guairão, abarrotado, pois tinha gente no chão das escadas e corredores, tive oportunidade, ainda adolescente, de ver de perto artistas já consagrados e outros ainda ilustres desconhecidos.


Vi de perto uma jovem e já famosa Fafá, com vinte e um anos, linda, leve, solta, brejeira, decotada e descalça, cantar lindamente: foi assim como um resto de sol no mar...


A ideia era um artista mais conhecido, apresentar um menos e Fafá apresentou Beto Guedes. Um mineiro magrelo e tímido que brilhou como seu Sol de Primavera.


Lá sentado no chão, vi pérolas negras como Luís Melodia e Zezé Motta e, bem de pertinho mesmo, já que corria pra ficar no gargarejo, vi pela primeira vez, uma moça morena, rouca e sensual, cantando e tocando guitarra, só com um macacão preto de uma malha bem arejada. Seu nome era Marina e definitivamente, gostei dela.


Pena que pra ter aquele sucesso todo com o público jovem, um projeto como aquele, hoje, teria que ter atrações bem diferentes. É, bem diferentes...


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