Rotatórias

Once Around (Meu Querido Intruso), de 1991, com Richard Dreyfuss e Holly Hunter, é, na minha imodesta opinião, uma das mais encantadoras películas produzido por Hollywood até hoje à noite.


Na cena inicial, um dos personagens, procurando relaxar, roda sem parar numa rotatória de Boston, como se tivesse brincando num carrossel.


O mesmo local aparece em outras cenas como essa, que se repetem, justificando o nome original do filme.


O fato de, Fly me to The Moon, a música de Raquel e eu, estar presente em boa parte do filme, pesa na avaliação, entretanto, a direção, o elenco e o roteiro, são realmente de dar gosto.


Na história, Renata, filha mais velha de uma típica família ítalo-americana, após perder mais um namorado, apaixona-se por Sam, um irrepreensível e charmoso homem de negócios.


O problema é que a família dela acaba se mostrando incapaz de tolerar as constantes interferências de Sam na vida de cada um deles.


Por vezes agressivo, porém sempre muito generoso, Sam está prestes, mesmo cercado das melhores intenções, de acabar com toda aquela união familiar.


No meu caminho da roça, na Curitiba de outros tempos, pela Cândido Hartmann, era preciso tomar cuidado pra desviar dos buracos e não cair nas valetas aos lados da via.


Hoje, é um belo trajeto, mas tenho duas rotatórias pra enfrentar. Conhecidas em outros lugares como balão, bolacha, girador, giradouro, queijinho, rótula ou rotunda, as rotatórias são, teoricamente, uma boa saída para melhorar o fluxo dos veículos, evitando o uso dos faróis, semáforos, sinais ou sinaleiros, como são chamados por aí, as tais luzes mandatárias.


O problema é que as rotatórias nasceram antes de uma legislação específica. Isso ocasiona uma considerável confusão nesta terra, aparentemente, de ninguém.


Como usuário contumaz, sinto na pele, inúmeras vezes, o total desconhecimento, despreparo ou descaso por parte de quem passa por elas.


De acordo com o Código Brasileiro de Trânsito, todos devemos diminuir a velocidade ou parar, dependendo do caso, ao chegarmos em uma.


A preferência na rotatória é, em caso de chegada simultânea, do carro que está à nossa esquerda. Não é o que normalmente ocorre. Está no código também que onde houver duas faixas, os motoristas podem usar ambas e que onde houver faixa de pedestre, a preferência será deste.

Portanto é permitido que dois veículos acessem ao mesmo tempo, um entrando na rotatória pela pista interna e outro pela pista externa.


Acho isso lindo, o que se vê entretanto, é que o carro que entra na pista interna, não deseja girar na rotatória até uma outra saída. Ele quer é escapar pela próxima saída à direita, assim como aquele que entrou pela pista externa.


Pra piorar, faz de tudo para ultrapassar o carro que está na direita, para sair dali vitorioso, na frente do outro. O pedestre então, coitado, na vida real, é o último na escala preferencial.


O personagem do filme tá, até certo ponto certo, pois reza o Código, que vale a ordem de chegada e quem já está dentro dela tem a vez. Como a rotatória, contudo é um lugar onde deve reinar o bom senso e a gentileza, ele não deveria transformá-la num parque de diversões.

Não vou negar que, passando por elas tantas vezes, não tenho vontade de fazer o mesmo, cantando Fly me to the Moom. Pena que não tenho tempo pra isso. A vida realmente é diferente, quer dizer, ao vivo é muito pior…


Amor, humor, tristeza e perdão cercam a família à medida em que a história avança. No final você conclui feliz que assistiu a um belo e inesquecível filme que roda em sua cabeça ao passar por uma rotatória. Era isso…


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