Ricardo Boechat

Atualizado: 11 de fev.

Tava ansioso pra conhecê-lo pessoalmente, já que todas as manhãs távamos juntos.


Iríamos registrá-lo numa digitalização em 3D em sua bancada, durante o Jornal da Band, ao vivo, na edição daquela quinta feira.


Enquanto digitalizávamos a redação, o vi chegar, no fim da tarde, sorridente, com uma mochila preta nas costas. A cena parecia aquelas do cinema, em que o personagem vai cumprimentando e brincando com todos, até chegar em sua sala.


Imaginava que, de alguma forma, poderia trocar algumas palavras com ele, já que logo estaríamos, juntos, cada um na sua lida, sob os mesmos holofotes.


Não deu outra, durante a realização do trabalho, enquanto ele falava ao vivo pra todo Brasil, brincou que o barulhinho da câmera 3D, ao dar seu giro de 360°, lembrava o de um respirador artificial, daqueles de UTI.


Depois, quando tivemos que refazer a captura frontal, a mais importante, reclamou, pois tinham dito a ele, que era pra agir normalmente, como se não tivéssemos ali.


Explicamos a ele que aquele ângulo, por ser o mais próximo e central, era o mais importante, por isso seria melhor refazermos, com menos movimento na cabeça, pra que não ficasse nebuloso.


Ele, compreendeu, concordou e cooperou conosco. No final, queria saber exatamente do que se tratava. Mostramos uma prévia de como ficaria o 3D e um exemplo pronto.

Ele gostou do que viu, se interessou e comentou que as filhas dele brincavam com um jogo muito parecido. Explicamos que a partir de um arquivo é possível sim, fazer games em ambientes reais. Ele gostou do que dissemos e sorriu.


Enquanto conversávamos, a maquiadora ia tirando dele uma grossa camada de maquiagem. Aproveitei e disse a ele que ficava melhor sem a maquiagem, mais humano. Ele riu e disse que também preferia assim.


O jornal e a digitalização tinham terminado. Não podíamos perder a oportunidade, e pedimos pra tirarmos uma foto juntos. Ele rapidamente foi buscar o paletó, que já tinha tirado, dizendo que seria uma honra.


Isto foi na quinta. Quando recebemos a notícia do acidente, na segunda-feira, custei a acreditar que aquele que eu ouvia tanto, toda manhã e que finalmente tinha ouvido eu lhe falado alguma coisa, pessoalmente, tinha partido, partiu meu coração.


Eu gostava do Boechat. Ficou a saudade e o orgulho de tê-lo registrado de uma forma que, ele não pode ver pronto, mas do que viu, curtiu muito.


541 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Frigidaire

Essencial