PRK 30

Desde que me conheço por gente, sempre gostei de programas de humor. No começo, por meus pais não permitirem, eu espiava pela fresta da porta, humorísticos como Balança Mas Não Cai, Satiricom e Faça Humor não Faça Guerra.


Depois, conforme fui dominando a situação, já tinha salvo conduto pra assistir e escutar programas como A Família Trapo, A Praça da Alegria e mais tarde, Planeta dos Homens, Chico City, Viva o Gordo, Os Trapalhões, Armação Ilimitada, Djalma Jorge, TV Pirata, Sai de Baixo, Casseta & Planeta, Pânico, Macaco Simão, Pretinho Básico e Porta dos Fundos.


Jô Soares e Chico Anysio eram Deuses do Humor pra mim, que os admirava, não apenas por seus personagens, mas também pela inteligência dos textos, livros, quadros e músicas.


Talvez por isso, há algum tempo, peguei a composição Rio Antigo, de Chico Anysio e Nonato Buzar, que sempre adorei, pra brincar um pouco, buscando imagens dos ícones citados na canção, como o Bonde 12 de Ipanema, o Café Nice, o Cine Rian e o Hotel Leblon.


Como uma coisa chama outra coisa, esses dias mexi novamente nas tais fotografias garimpadas na rede e deparei com uma, que na letra diz: PRK 30, que valia cem, como nos velhos tempos. Isso chamou minha atenção e fui pesquisar sobre.


A PRK30 mencionada na canção, na minha cabeça sempre foi uma das rádios da época e na pesquisa descobri que não era bem isso.


Descobri que PRK 30, da qual nunca havia ouvido falar, além da menção de Chico na letra, era o prefixo de uma suposta rádio pirata, que foi, sem dúvida, o maior programa de humor de rádio de todos os tempos no Brasil.


O programa de humor, que estreou na Rádio Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro, em 1944 e mais tarde passou pra Rádio Nacional, ficou vinte anos no ar.


Conduzido pelos speakers Otelo Trigueiro e Megatério Nababo D`alicerce, respectivamente, os humoristas Lauro Borges e Castro Barbosa, que o criavam e apresentavam notícias de impagáveis correspondentes internacionais, cantores internacionais, calouros, radionovelas e aulas com professores impensáveis, todos protagonizados, com muito falsete e muito talento, por eles mesmos.


Com base na estrutura do rádio, no PRK-30, criavam paródias, usando trocadilhos de maneira sarcástica e debochada, totalmente fora de qualquer coisa que fosse parecido com o atual e aborrecido politicamente correto.


Todos os diálogos, sem exceção, eram feitos com a criação dos mais diversos tipos de vozes, usando todos os recursos culturais de que dispunham, e ao mesmo tempo, deixando no ar, palavras com sílabas trocadas propositalmente.


Há registros isolados memoráveis como este com a fadista portuguesa Maria Dobradiça da Porta Baixa:


Clique aqui e ouça

Ou esta inimaginável aula de português apresentada por um professor alemão:


Clique aqui e ouça

Pra quem tiver tempo e interesse, há esta gravação com momentos impagáveis como a narração de uma corrida de cavalos e outra de carros com Chico Landi:


Clique aqui e ouça

Apesar de longa, a gravação mostra apenas um ínfimo do que deve ter sido este fantástico programa, criado nos anos 40, totalmente desconhecido por mim e por minha enorme ignorância, e que teve e tem forte influência no melhor dos humoristas brasileiros até hoje.


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