Primeiro Apartamento

Nosso primeiro apartamento: Travessa Raphael Francisco Greca, 99. Tinha nove metros, de uma linda face oeste, por seis, de uma face norte sem janelas. Como eles conseguiram colocar, e razoavelmente bem, sala, dois quartos, dois banheiros, cozinha e lavanderia em cinquenta e quatro metros quadrados, até hoje não sei explicar.


Pra recém-casados, que nem tinham terminado a faculdade ainda, tava bom demais. As três janelas em fita formavam uma só e iam de uma ponta a outra, fazendo com que o visual fosse realmente incrível. Hoje, com tantos prédios construídos no Água Verde, já não deve ter mais aquele magnífico pôr do sol.


Na minúscula sala: um velho tapete vermelho de pele de carneiro e o sofá Cimo que ganhamos de minha mãe. Cortamos o sofá, tiramos os braços e fizemos um jogo de poltrona e sofá de dois lugares.


As mesas laterais, tipo caixote de boca pra baixo, foram feitas por um marceneiro que nos atendia e que também fez o guarda-roupa e a cama com gavetões embaixo.


Sobre a janela, uma prateleira, que fiz com uma tábua pintada de preto, que também servia pra fixação das cortinas. Essas, que vieram do consultorio de meu cunhado, ao serem cortadas na altura, deram pano pra manga, ou seja, pra cobrir as três janelas.


Muitas peças da decoração eram protótipos das vitrines que produzíamos, como o cavalo de resina, que temos até hoje e a bicicleta de ferro, que se perdeu no tempo. O pote e o pratinho, compramos numa Semana Especial Japão, na finada Mesbla.


Começarmos nossa vida naquele cantinho foi muito bom. Não tínhamos telefone. Só o orelhão da mercearia em frente ao prédio. A televisão, ítem importante naquela época, foi um oferecimento de minha sogra.


Era uma Philco Safari, azul calcinha. Era velha, mas tinha estilo. Meio futurista, lembrava uma cadeira Tulipa, giratória, só tinha um defeito, além de uma imagem ruim, era muda. Ainda bem que um fantástico receiver Kenwood, que era do meu irmão e acabou ficando pra mim, pegava o Canal 12, bem no cantinho esquerdo do dial.


Até sair a tão esperada TV em cores no Consórcio Sharp, fomos nos virando entre as imagens em P&B da pequena TV, que lembravam uma ecografia, e os ruídos vindos do rádio, que lembravam uma ressonância magnética. Bons tempos aqueles...


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