Planos...

Atualizado: 13 de mai.

Depois de ter tentado emplacar a ideia na Federal, como meu projeto de formatura, sem sucesso, consegui convencer o próprio cliente a levá-la adiante e a por em prática.


A partir de aceita, não havia muito tempo pra perder e uma batalha contra o tempo foi lançada. Eu, no alto, alto, dos meus vinte e cinco anos, era o general daquela empreitada.


Já tava há três anos atendendo O Boticário, na época, já uma grande empresa franqueadora. O que havia começado quase por acaso, tinha se tornado uma verdadeira loucura: criar, aprovar, enviar desenhos por fax e produzir cada vitrine pra diversos lugares do Brasil, esperando antes, que o telefone tocasse, de Aquidauana ou de Patos de Minas, por exemplo, com os respectivos pedidos, pra daí, então, poder produzir, embalar, levar pra transportadora e rezar pra que o material chegasse inteiro e a tempo, nos destinos.


Minha ideia: uma Programação Visual de Vitrines Anual consistia em se ter um projeto completo, previamente criado, aprovado e apresentado à rede de franqueados. Isto permitiria uma produção programada, dentro de um cronograma e principalmente, numa escala muito maior.


A tal programação anual, pela urgência, já que o ano já havia começado, iniciaria com a vitrine de Páscoa e teria a produção triplicada ou quadruplicada. Mês a mês, estaria garantida e planejada, deixando-me rindo de alegria, ansiedade e nervosismo.


Ampliei as opções de fornecedores, negociei preços e prazos, produzi três vitrines ao mesmo tempo pra que déssemos conta de tudo e garantisse que tudo estivesse nas lojas, de acordo com o planejado e enviei as duplicatas pra serem cobrados pelo banco de trocentos novos clientes, o que garantiria o pagamento de aquilo tudo que estávamos assumindo.


Numa sexta feira à noite, na metade de março de 1990, foi anunciado na televisão, pelo governo, o Plano Collor. Eu não acreditava naquilo, mas de uma hora pra outra, descobri, que com aquele confisco, todas aqueles papéis, que tinha colocado no banco, na segunda feira, valeriam o mesmo que cinzas.


O sentimento confuso que vivi naqueles dias, me lembra muito o que passamos hoje, onde todos sofriam, e o presidente e sua equipe, diziam que não podiam fazer nada e que todos estávamos no mesmo barco.


Estávamos, era fato. Amadureci, naquelas águas turbulentas, uns quinze anos. Aprendi a lidar com Cruzado Velho, Cruzado Novo, Cruzeiro, IOF e o escambau.


Tudo era novo pra mim. Sem aquele fatídico plano, já teria sido difícil, com ele no pedaço, a coisa ficou realmente séria. Aprendi a negociar, renegociar dívidas, barganhar, chorar, confiar, desconfiar, duvidar, acreditar, enfrentar, superar e a sobreviver.


Ter passado por tudo aquilo mostrou que por mais difícil que seja o cenário, passo a passo, dia após dia, podemos superar e, no futuro, termos história pra contar pros nossos netos. Espero que agora seja assim também...


84 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Frigidaire

Essencial