Pinheiros do Paraná

Que bom tê-los como areia no mar: a Araucária abunda por nossas bandas, apesar de já ter abundadado muito mais antes de ter perdido o rebolado.


O nosso pinheiro, porém, não é exclusivo nosso. Já os vi em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, em Petrópolis e até na Recoleta, em Buenos Aires.


Quando eu era criança, havia no Seminário, um pintor. Era um artista simples, autodidata, pintava e em seguida, andava pelas ruas do bairro vendendo suas telas a óleo, ainda com a tinta fresca.


Às vezes ia xeretar no seu atelier, na Rodrigues Alves. Era um terreno grande, cheio de árvores velhas e seu pequeno estúdio ficava num puxadinho, numa das casas que se somavam sobre o tal terreno.


Celso Cunha, que assinava como C.Cunha, não era um poço de simpatia. Ao contrário, era um velho ríspido e rabugento.


Eu não tava nem aí, queria mesmo era saber como vivia um verdadeiro artista, que vivia do que pintava e bebia com o que vendia.


Minha mãe, certa vez encomendou um quadro grande pra ele. Pintou uma marinha em tons dourados, com céu, mar e algumas jangadas. A tela embeleza hoje, a casa de Marta, minha irmã.


Eu também fiz uma encomenda a ele. Juntei um dinheirinho e solicitei ao seu Cunha, que pintasse o que eu mais gostava: um carro. O quadro tinha que ser pequeno pra não ficar muito caro...


Ele pintou, através de uma foto que lhe dei, o que eu mais curtia, com o que ele mais gostava de pintar: pinheiros.


Há muito tempo que tenho este quadrinho e que gosto dele. Há muito tempo lembro disso tudo.


Espero que por muito tempo continuemos admirando nossos pinheiros, tão especiais e que continue lembrando daquilo de que ainda não esqueci.



136 visualizações1 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Frigidaire

Essencial