Perdas e Ganhos

Atualizado: 15 de abr.

Não ganhei um Autorama, nem um Velotrol, nem um Pega-Pega. Ganhei, por outro lado, um Forte Apache Gulliver, com soldados e índios de plástico, alguns deformados, o que me incomodava, mas que me renderam inesquecíveis horas de brincadeiras.


Ganhei, recordo bem, um carro de bombeiros, do Prosdócimo. Tinha uma vareta cromada em pé atrás, tipo um câmbio, onde se trocava marcha, no qual, aos dez anos, já aprendi a fazer baliza. Foi um presente de Natal, lembro que custou noventa e nove cruzeiros, que tinha um giroflex vermelho no teto, que fiquei com um certo sentimento de culpa por meu pai tê-lo comprado pra mim e que eu gostava muito dele.


Ganhei também, uma bicicleta, num outro Natal. Também era vermelha e do Prosdócimo. Era uma Monark infantil. Isto deixou, injuriados, meus irmãos mais velhos, pois achavam que a tal bicicleta tinha que ser maior pra eles também a usarem, e não somente eu, a quem o presente tava sendo dado. Vida de caçula não é fácil...


Não fiz natação, nem judô, nem escotismo, que eram coisas que eu tinha vontade de fazer. Tinha, entretanto, a liberdade de ir e vir pra onde quisesse, por toda a região do Seminário, Batel, Água verde, Campina do Siqueira e adjacências. A pé ou de bicicleta, nada me detinha em descobrir, a cada dia, novos mundos, ruas, praças, bosques e obras, muitas obras de casas, mansões, lojas e prédios.


Não fiz inglês como gostaria, precisava e sonhava. Fosse no Inter, no Cebel, no Firsk ou no CCAA, qualquer lugar servia. Isso não aconteceu, somente mais tarde, quando pude pagar, é que fiz, no Words. A falta de uma segunda língua ficou nítida nas provas de Inglês do Irmão Aristides, o Tedão, no Paranaense.


Todas as provas dele eram ditadas. Se pelo menos entendesse o que ele ditava, eu até poderia conseguir passar as frases do presente pro passado, ou vice-versa, como ele queria, mas sem nem conseguir escrever a questão no papel...


Aquilo de bom ou de ruim que nos fartou ou faltou, que pudemos ou não fazer, pode explicar o que somos ou pelo menos, tenta explicar quem somos. Penso, entretanto, que é mais importante termos perguntas, que nos façam pensar, buscar e partir pra algum lugar, do que respostas, que fazem com que acreditemos, nos conformemos e nos acomodemos num ponto qualquer da vida.



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