Paraíso

Quando era possível sair de casa e viajar, estive algumas vezes numa das maiores megalópoles do mundo, que não fica muito longe de Curitiba.


Se por um lado, não tenho a mínima ideia de quantas vezes já fui lá, por outro, não consigo me esquecer, da primeira vez que estive, de certa maneira, sozinho andando por aquelas ruas.


No primeiro ano do Cefet, em 1980, fomos num grupo à São Paulo visitar a UD, a então famosa Feira de Utilidades Domésticas.


Uma grande aventura. Um bando de jacus curitibanos, andando por um mundo novo a ser descoberto.


E descobrimos o Metrô, suas estações, com suas escadas rolantes e claro, muitas traquitanas na feira.


Uma delas, proporcionou-me uma sensação de deslumbramento que até hoje me recordo muito bem.


Foi a primeira vez que experimentei um par de fones de ouvidos. Naquela época eles pareciam uma tiara com duas imensas rodelas de espuma coloridas nas pontas.


Meu Deus! Isto fala!! Que som magnífico! Como pode, pensei, uma coisinha tão pequena, gerar um som tão puro, claro e límpido?


Sempre que tô lá, vou, de estação em estação, me lembrando daquele primeiro contato com a cidade grande.


Não sei se é bom, tal qual um disco riscado, reviver e reviver um sentimento que tive há tanto tempo.


Só sei que quando ouço a gravação do metrô falando com voz anasalada: Estação Paraíso, no momento da abertura das portas, em pensamento, ainda saio do vagão, de bamba nos pés, cantando aquele novo sucesso da Blits, a dois passos dali mesmo...


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