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  • Luiz Renato Roble

Orelha de Padre

Naquela tarde, no sinal fechado, com fome, comprei uma coisa que há tempo tava com vontade de comer: Orelha de Padre.


Pra nós, na minha casa, sempre foi Orelha de Padre. Também conhecida como Barquilha, Biju, Casquinha, Cascão, Cavaca, Cavaco Chinês ou Taboca, o quitute simples, feito com uma mistura de farinha de trigo, água e açúcar, forma uma massa doce, que prensada em chapas de ferro quente, ganha espessura de uma lâmina e uma gostosa consistência quebradiça.


Ela me remete à minha infância, onde, ao escutar o vendedor, que seguia pelas ruas do Seminário, com um tambor de metal, pendurado por uma alça de couro nas costas, tocando matraca, uma placa de madeira com uma argola que bate descontroladamente em torno de um eixo, já sabíamos que a Orelha de Padre tava por perto.


Gostava de comer a Orelha deixando o ponto central, redondinho, intacto. Ela, que já tinha gosto de hóstia, ficava uma perfeita simulação daquilo que ainda não tinha idade de receber na missa.


Certa vez, minha mãe tentou fazer Orelha de Padre em casa. Foi um desastre. A solução era mesmo aguardar o vendedor e sua matraca passarem pelas ruas do Seminário

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