Oratória

Certas palavras e expressões ficam tatuadas em nossa mente e nem a laser seriam apagadas.


Há muito tempo, participamos de um curso de oratória no Juvevê, numa sobre loja da João Gualberto. Éramos jovens e a experiência que tínhamos em falar em público, fazer amigos e influenciar pessoas, era mais um pouco daquilo que já tínhamos enfrentado com as inesquecíveis palestras no Cefet.


O curso foi muito bom pra Raquel e pra mim. Após o término, inclusive, fomos escolhidos pra sermos assistentes das próximas turmas.


Talvez por isso, algumas coisas grudaram tão profundamente. A coisa devia ser dinâmica e proativa. O instrutor, portanto, não mandava ninguém ir lá na frente falar.


Haviam três cadeiras num dos lados, onde, os voluntários, iam se sentando pra sinalizar que seriam os próximos.


O problema é que às vezes ficava uma ou duas cadeiras vazias e, mesmo com alguém lá na frente enfrentando o auditório, o instrutor gritava lá do fundo: Temos uma vaga!!!


Alguém na plateia, que estivesse no vou não vou, acabava indo. Até hoje quando estou na fila do banco e vejo um caixa automático vazio e um sujeito lá na frente comendo mosca, sinto o ímpeto de gritar: Temos uma vaga!!


Ao chegar lá na frente, se a pessoa começasse a fala com um bem ou um bom, considerados muletas ou vício, todo mundo gritava: Muuuito bem!!! ou Muiuito bom!!! E o coitado que tava falando tinha que começar novamente.


Até hoje quando estou conversando com alguém e a pessoa começa a frase com bem ou bom, sinto vontade de gritar na cara dela: Muuuito bem!!


E quando a pessoa passava do ponto e não chegava num ponto final, numa conclusão, o instrutor berrava lá de trás: E finalmente??? O infeliz tinha que coordenar as ideias e encerrar o assunto rapidinho.


Até hoje, quando tenho a nítida certeza de que a pessoa passou do ponto e deveria ter encerrado o assunto, tenho vontade de gritar com ela... E finalmente?


Pra facilitar a vida de todos, o conteúdo utilizado nos exercícios, era sempre relativo ao trabalho de cada um, ao dia a dia, pois eram assuntos que cada um dominava e sabia de cor.


Muito bem, foi lá na frente uma moça que trabalhava como secretária numa empresa. Ela se posicionou pra falar, fechou os olhos, os abriu, encarou a turma e mandou:


O que eu vou lhes contar, somente eu e o meu chefe sabemos...


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