Ora que Melhora

Tava transitando, numa daquelas típicas tardes pelas ruas de Curitiba, com o limpador de para-brisa ligado, quando, ao parar atrás de um caminhãozinho, no sinal, li: ora que melhora.


Se a intenção de quem pintou à mão, naquela porta de baú, aquelas palavras, era fazer quem parasse ali atrás, pensar, conseguiu.


Pensei: ora que melhora... legal, criativo. Ora, oração, Pai Nosso, meu pai, saudade...


Lembrei daqueles almoços de domingo, tão distantes do pensamento e paradoxalmente, tão perto do coração. Todos em pé em volta da mesa. As duas metades de frango assado. Arroz vermelho, maionese com a rosa de tomate enfeitando, duas gasosas Cini, uma de framboesa e outra de gengibirra. O Pai Nosso rezado por todos e depois dele, meu pai de olhos fechados dizia:


“Ao Senhor agradecemos por este alimento que nos deste, àqueles que souberam preparar para o nosso bem, dai também àqueles que não os têm, por Cristo Senhor, nosso. Amém” Bom apetite!!


A garganta secou. A lágrima rolou e o sinal abriu. Não orei, mas me senti bem melhor...


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