O Vestido

Apesar de ser uma mulher simples, minha mãe, Josefina Galvão Roble, era uma mulher e por isso, tinha lá suas vaidades e seus caprichos.


Havia no Seminário, uma senhora que tinha uma boutique junto à casa dela, com novidades exclusivas que ela trazia diretamente da capital da província: São Paulo. Minha mãe, cliente fiel da amiga, comprou um dia, um belo vestido florido com a tal garantia de exclusividade.


Qual foi sua surpresa, quando viu uma outra professora do Grupo Escolar D. Pedro II, naquela mesma semana, com o mesmo vestido exclusivo de minha mãe, antes mesmo dela usá-lo.


Detalhe que a boutique ficava ao lado do grupo. Ela não fez nada. Não se abalou, nem reclamou, nem com uma e, claro, nem com a outra, que não tinha culpa de nada e obviamente desconhecia a situação.


Minha mãe simplesmente, guardou o vestido num saco plástico e esperou. Esperou meses, anos, até que o vestido da colega tivesse puído de tão usado, irreconhecível de tanto ser lavado e desbotado de tanto ser quarado.


Foi aí então que minha mãe finalmente desembrulhou seu vestido novinho e exclusivo como ela desejava e desfilou com ele na missa da capela no Seminário no domingo, degustando seu prato frio, porém, saboroso.


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