O Presente

Da moto que eu tinha ganho, há mais de quarenta anos, do meu inesquecível tio Vicente, tinha restado apenas a embalagem. Alguma mocinha, além de limpar a casa, resolveu limpar o conteúdo, deixando caixinha pra que eu a contemplasse vazia.


Diante da minha desolação com o ocorrido, Felipe, meu filho ficou incomodado e como é próprio dele, buscou uma solução.


Há um tempo, sem me avisar, foi atrás de uma reposição e à maneira de todos de sua geração, foi à rede e pescou uma bela surpresa pra mim.


Como a pesca não foi com anzol, mas de tarrafa, outras vieram da rede. Além de me presentear com a moto, igualzinha à que eu tinha, uma Kawasaki, ele encontrou e comprou as outras cinco que compunham a coleção de meia dúzia, anunciada no verso da caixinha.


Fiquei muito feliz e a guardo próximo a mim, num pequeno altar que montei com carrinhos que ele também me presenteou em outras ocasiões. Disse a ele, que a moto então passou a ter um duplo significado pra mim: a memória de alguém que cresci querendo bem e dele, a quem amo e vou envelhecer amando cada vez mais. Mais uma vez, obrigado filho.


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