O Príncipe e o Mendigo

Nos anos 30, poucos aviões tinham autonomia suficiente pra atravessar os oceanos. Os dirigíveis fizeram então, nessa época, uma festa no céu.


O Brasil fazia parte da rota das enormes aeronaves. Há muitos registros deles por nossas cidades, inclusive em Curitiba.


Maior que um grande dirigível era um hangar capaz de acomodá-lo. Vários foram construídos pelo mundo. Descobri, esses tempos, que um deles, medindo quase trezentos metros de comprimento por quase sessenta de largura e de altura, ainda tá de pé e muito bem conservado na Base Aérea de Santa Cruz no Rio de Janeiro, do lado da Restinga da Marambaia.


Estas baitas aeronaves, e todo o aspecto lúdico que as envolve, sempre chamou minha atenção, seja pelo tamanho, pelas características, pela imagem insólita dele parado junto ao Empire State, pela história envolvendo o nazismo ou pela imagem que construí ouvindo Geni e o Zeppelin desde criança.


Pra mim, entretanto, ainda maior que os grandes dirigíveis e seus respectivos hangares, foi um fato que ocorreu comigo.


Quando tava na sexta série, combinei com um então novo amigo do Paranaense, pra assistirmos o Dirigível Hindenburg, no Cine Lido.


Me arrumei e rumei pra casa dele, pois de lá pegaríamos o ônibus pro centro. Pra mim, se arrumar pra ir no cinema, era tomar banho e por uma roupa limpa. Quando cheguei em sua casa e ele saiu, levei um susto. Ele usava um sapato bicolor. Calça branca e blazer azul com botões dourados e um brasão no peito. Parecia o capitão do Titanic e eu o carvoeiro mor do transatlântico. Fazer o que, pelo menos meu velho tênis, não tava furado.


O Príncipe e o Mendigo foram, assistiram ao filme e depois lancharam na XV. O Hindenburg, como era de se esperar, foi consumido pelo fogo no final do filme. Essa lembrança, entretanto, teima em flutuar em minha mente, cada vez que ouço a palavra Dirigível.


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