Buscar
  • Luiz Renato Roble

O Onofre

Era nossa primeira vez na Disney e Raquel e eu combinamos de irmos juntos aos nossos amigos, hoje nossos compadres: Paulo e Isabel. Eles, levando o Emanuel e nós, a Fernanda. O Felipe, do nosso lado, e a Emília, nossa afilhada, ainda não existiam.


Houve vários preparativos em comum: reuniões, estratégias a serem traçadas, decisões a serem tomadas e sonhos a serem realizados, até que o grande dia chegasse.


E o dia chegou. Quando vimos, távamos lá: se perdendo nos aeroportos, tendo dificuldade em dirigir um carro automático pela primeira vez e nos perdendo a torto e à direita, num mundo sem GPS e placas em português.


Tudo tava saindo a contento. Termos planejado os passeios com antecedência, tendo do nosso lado, dicas do nosso professor do Words, que já tinha ido aos parques várias vezes e, do outro lado, orientações do Onofre, um amigo de Paulo, que tinha feito, através de sua experiência, uma lista das coisas imperdíveis numa viagem como aquela, foi fundamental.


O Onofre acabou se tornando o sétimo passageiro de nossa comitiva. Volta e meia ele era citado pelo Paulo, lembrando de algo que ele havia sugerido, do qual não poderíamos deixar de fazer.


Na manhã que fomos ao Epicot Center, ficamos barrados na entrada, diante de uma grossa corda esticada. O horário de verão havia terminado e, claro que nem imaginávamos isso, acabamos chegando uma hora antes da abertura daquela parte do parque.


Tudo ia às mil maravilhas: começamos a passear pelos países dispostos em volta do grande lago, chegando inicialmente ao pavilhão do Canadá. A placa dizia que a atração era um filme em 360º. Raquel e eu nos empolgamos pra entrar logo pra assistir, no que Paulo, pegando pela milésima vez o papel dobrado do bolso, com as orientações escritas pelo tal Onofre, disse: vamos ver o que o Onofre falou…

Raquel, que também já não aguentava mais ouvir falar daquele personagem oculto da viagem, disse: nós tamos aqui, gastamos dinheiro pra estarmos aqui, não podemos fazer o que temos vontade, somente ouvir o que esse tal de Onofre manda?


Os dois acabaram brigando e ficaram emburrados e de mal em toda a visita ao Canadá e ao Reino Unido, que veio em seguida. Os dois bicudos nas terras da Rainha…


O próximo pais era a França, e acho que ninguém consegue ficar de mal em Paris. Paulo comprou taças de plástico com champagne e os dois brindaram e fizeram as pazes, rindo ao som do tim-tim.


A história rendeu e rende muitas risadas e o Onofre ficou até hoje, em casa, sendo lembrado como aquele que sabe tudo. Quando vamos pesquisar algo no Google ou saber como tá a previsão do tempo dizemos: pergunta pro Onofre…


94 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

O Putainho