O Método

Apesar de bonita e exótica, a Dália não é uma flor comum e sempre que vejo uma ou ouço o nome dália, sou transportado pro Grupo Escolar Dom Pedro II, em 1971.


Estávamos no primeiro ano do primário, na primeira das três salas adjuntas, construídas ao lado do prédio histórico, com um barulhento telhado de zinco, que se mostrava presente cada vez que chovia. A professora era dona Maria Lídia, a filha do dono do Posto Garoto, aquele com um piá que ficava mijando, na esquina da Praça Carlos Gomes.


Este foi o ano de nossa alfabetização e no Método da Abelhinha, que era utilizado, a Dália era uma das heroínas de uma história sem fim, onde em cada aula, novos e estranhos personagens eram somados à saga da Abelhinha com uma asa só.


Lembro-me da expectativa pelos novos capítulos e dos cartazes pregados no alto das paredes da sala.


Além da Abelhinha, uma versão de Alice, e da Dália a flor machucada, haviam outros personagens como a Escova Mágica, o pequeno Índio, os Óculos Quebrados e o Ursinho Levado, que me lembro bem e outros que tinha uma vaga lembrança como o Vaga-lume Assustado, o Lobo Ferido, a Minhoca Dengosa, o Gato Golias, o Sapo Misterioso, o Jacaré Atrapalhado, o Neném Brincalhão, a Faca Cega e a Zebra Ziguezague.


Não entendo como tínhamos paciência pra viajar numa história com tantos personagens estranhos, mas sei, que seus conflitos, seus cartazes e seus sons, foram responsáveis pela minha alfabetização e, acredito, a de muita gente, possibilitando que hoje escreva este texto e de outro lado, que alguém o leia.


Não sei como as crianças são alfabetizadas hoje, com tanta inovação tecnológica, mas acredito que a estranha Abelhinha e seus amigos esquisitos tenham cumprido sua missão.



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