O Guarda-Chuva

No aeroporto, logo após me despedir do grupo, é que me dei conta de que a partir dali tava sozinho, que a única coisa que falava em alemão era guten morgen e que já era meio da tarde na Alemanha.


Eles foram pro oeste e eu pro sul. Iria visitar uma outra feira e na noite seguinte é que rumaria pro mesmo destino do grupo.


Cheguei em Munique tarde da noite. O hotel era simples e acolhedor, mas precisava sair pra jantar. O frio era cortante e o vento atrapalhava os passos.


Dobrei duas esquinas e entrei na primeira porta e foi assim que, estando na terra da cerveja, jantei pasta e um bom vinho, pois era um restaurante italiano.


Na manhã seguinte, apressei a visita à feira. Foco e objetivo, pra poder conhecer a cidade depois. Viajaria no final da tarde e não teria muito tempo pra diversão.


Entusiasmado, peguei um metrô direto pro centro histórico. Era uma da tarde e pensei, daria tempo pra visitá-lo rapidamente e conhecer o comércio.


Conforme a escada rolante foi subindo, as portas das lojas iam descendo. Foi quando percebi que era sábado e não sexta-feira. Pior, que praticamente a cidade toda fechava à uma da tarde de sábado.


Tudo bem, a viagem tava apenas começando e eu tava ali pra visitar a feira mesmo...


Por outro lado, minha sorte é que as grades não impediam de ver as lojas, apenas de entrar nelas. O negócio, como dizia minha mãe, era olhar com os olhos e lamber com a testa. Esta literalmente, colada nas grades geladas.


Fazia frio, o sol e a beleza da cidade, porém, disfarçavam. Me sentia na Rua XV caminhando por aquele calçadão de pétit pavê.


Tudo ia bem até que numa pequena loja, avistei sombrinhas e guarda-chuvas com impressões dos mestres impressionistas. Aquilo me impressionou. Mas o que fazer?


Caminhei pensando em Renoir. Olhei a cidade pensando em Degas. Visitei o Museu de Caça pensando em Monet. Bolas, eu precisava comprar uma daquelas sombrinhas.


Alguns dias depois, em outra cidade, um dia antes de retornar, encontrei uma loja que as vendia. Não tive dúvida. Fosse quantos marcos fosse, eu precisava comprar uma delas.


Não foi fácil trazê-la, mas a trouxe. Tal qual Beatrix Kiddo, viajando com sua espada no avião, cheguei em Curitiba com ela me incomodando, mas retornei pra casa com um presente muito especial nas mãos.


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