O Garcez

Primeiro arranha-céu do Paraná e terceiro do Brasil, o Palacete Garcez, que gerou polêmica nos anos 20, sobre quantos andares teria, foi concluído nos anos 30.


Projetado pra abrigar um hotel de luxo, tinha mármore no piso térreo e nas escadarias, latão nos corrimãos, portas, janelas e elevadores, acabou virando um edifício comercial e abrigou por décadas os mais variados inquilinos.


Com o passar do tempo foi perdendo a pompa e a circunstância. Em 1974 teve sua fachada Art Déco tombada e em 1982, o então grande grupo Hermes Macedo o comprou pra recuperá-lo e transformá-lo numa imensa loja de departamentos, o Magazine Garcez.


A ideia foi aliar o interesse econômico ao cultural, assim, buscou-se materiais, cores e estilos que resgatassem o valor histórico do prédio.


Uma grande equipe técnica, capitaneada pelo arquiteto Eduardo Guimarães, além de reformular inteiramente seu interior, recuperou itens originais como elevadores, vitrais e trincos.


O Art Déco original do edifício, foi levado à cada detalhe dos dez andares da loja, todos, com uma paleta de cores própria.


Mobiliário, equipamentos, displays, lustres, manequins, revestimentos e comunicação visual reforçavam o estilo. O projeto conquistou prêmios internacionais e marcou uma época.


Depois de sessenta e cinco anos de estrada, ao enfrentar crises, planos econômicos estapafúrdios, aumento da concorrência, perda do fundador e disputas internas, o grupo HM entrou em declínio e acabou em concordata.


O Magazine Garcez foi, com toda sua exuberância, seu canto do cisne.


Texto baseado na matéria Reciclagem para Magazine, da revista Design & Interiores Ano 03 nº17 dez/89 NCz$ 60,00 | Fotos João Cid Portugal



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