O Filho do Pai

Sempre que ando pelas ruas e vejo um senhor de paletó caminhando com passos lentos, lembro-me do meu pai.


Meu escritório, naquela época, também era no Seminário, como a casa do meu pai, e quando eu passava e o via caminhando na rua, parava tudo o que tava fazendo e o levava, de carro, aos lugares pra onde ele tava indo a pé.


Normalmente era na loteca ou no supermercado e neste caso, não era uma tarefa simples: ele pegava um produto na prateleira, levantava o rosto, pra acertar o bifocal, lia o preço e colocava-o de volta.


Perguntava: - não vai levar pai? - Não, no outro é mais barato... E lá íamos nós, prum outro supermercado...


Confesso que quando me dei conta de que matematicamente, poderia ser pai de Cristo, a visão de eu ser tão velho, quanto o marceneiro São José, me assustou um pouco.


Esses tempos, me vi não só com a idade do pai de Jesus, mas também com a idade do meu pai: me recusei a comprar balas quando pagava a conta no caixa de uma panificadora, dessas, digamos, gourmet.


Trinta centavos por uma bala Sete Belo? Melhor ir num supermercado...


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