O Clubinho

O quintal da nossa casa no Seminário era grande, enorme, cheio de árvores e num canto, havia uma área cercada, onde ficavam os três cachorros.


Era lá que, embaixo do pessegueiro, num final de tarde, tentávamos cavar um buraco pra edificar a primeira coluna da nossa construção.


Minha mãe ao passar por ali, arrastando seus chinelos, perguntou: o que vocês tão fazendo? Vamos construir um clubinho! Pra que? Por que não usam o velho galinheiro que já tá pronto?


Guilherme, Leonardo e eu olhamos estupefatos pro galinheiro em alvenaria, muito grande, pra apenas acomodar os cachorros e concluímos: por que, raios, não pensamos nisto antes?


Foi assim que, no dia seguinte, começou a nascer o Clubinho Os Metralhas. Separamos um cantinho com uma parede de tábuas, pro Lulu, o Banzé e o Tico, com uma portinha separada só pra eles. Com muita água, sabão e creolina, tornamos o local habitável.


O pé direito era baixo, mas tudo bem, nós não tínhamos mesmo a altura que temos hoje. Páginas de gibis coladas justapostas eram nosso papel de parede pra esconder a madeira feia. Um tapete velho que ganhamos, era maior que o espaço, mas nós dobramos o excedente pra baixo e tudo bem.


A pequena janela do antigo galinheiro e ex-canil, tinha apenas tela. Nada que um pedaço de plástico maleável e transparente, não resolvesse. Quando esquentava, era só o levantar e ventilava. Entrava pouca luz, mas com uma pequena cortina fina e velha que ganhamos, descobrimos que podíamos deixar o ambiente todo mais claro, apenas com a luz se espalhando pela cortina.


Um pedaço de osso de vaca, daqueles em L, foi colado na parede, pra servir de cabide. A assinatura de Paul McCartney feita pelo Leonardo em tinta à óleo vermelho brilhante, decorava uma das paredes e dava o tom do lugar.


Na outra parede, um quadro com as normas do clubinho, criadas e desrespeitadas por nós mesmos. Ali nós aprendemos a brincar, a criar, a sonhar, a construir, a respeitar, a brigar, a crescer, a viver e a valorizar o que temos. Velhos dias, velhos amigos. Saudade de tudo aquilo...


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