O Cinema em Revista

Naquele tempo, em que tudo na televisão era mato, o cinema era nosso porto seguro.

Rezar pra ninguém muito alto sentar na poltrona da frente, escolher o lugar pra sentar, comprar pipoca, comprar os ingressos, estacionar o carro, se arrumar pra sair de casa, escolher qual filme assistir, ouvir a programação no telefone, esperar sexta-feira chegar e saber quais eram os lançamentos daquele mês, eram coisas que faziam parte de um ritual.

Aguardava impacientemente a chegada da Revista SET nas bancas. Quem estaria na capa? Quais seriam as novidades? Quem era o entrevistado? Quais os melhores filmes da crítica? E o principal: o que Dulce Damasceno de Brito estaria nos contando aquele mês?


Na sua coluna, Hollywood Boulevard, Dulce, (1926-2008), jornalista brasileira, especializada em cinema, que havia entrevistado, nas décadas de 50 e 60, diversas celebridades da época, ficou amiga de vários astros, e principalmente, Carmen Miranda, de quem foi amiga íntima, contava tudo.


Era um prazer ler a coluna de Dulce, que sendo a primeira mulher brasileira a ser correspondente em Hollywood, escrevia muito bem, textos deliciosos, repletos de informações e curiosidades, sempre com muito bom-humor.


Como era bom devorar aquelas revistas, as quais tenho a coleção quase que completa guardada. Uma pena hoje em dia, não haver quase nada daquilo tudo.


Não há mais o ritual, nem revistas especializadas, nem o passeio, nem o cinema, nem ingresso, nem a pipoca, nem as velhas poltronas e nem ninguém cabeçudo na nossa frente.


Seria pedir demais, antes de atirarem, um cadinho de Atualidades Atlântida ou o Canal 100, tocando Na Cadência do Samba, com a sonora voz de Heron Domingues reverberando pela sala de projeção, e a gente, com a boca cheia de pipoca, Mentex e Frutas e o coração na mão?

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