O Cinema

Sempre gostei de cinema. Lembro que chorava porque queria ir no Cine Marajó, pra escutar o sino que tocava antes de cada sessão.


Depois, fugia do jardim da infância, no Dom Pedro II, pra ver desenhos animados na televisão de casa. As fugas acabaram sendo formalizadas e então, eu era devidamente acompanhado com segurança por uma servente do grupo escolar até em casa.


Foi muito emocionante minha primeira sessão de faroeste naquele mesmo Marajó. Foi Paulo, meu irmão, quem me levou. Me senti mais que apenas um simples menino depois de assistir cowboys atirando uns nos outros.


Certa vez, já no Cefet, simplesmente deixei de ir à aula, pra assistir um filme na Sessão da Tarde. É que o filme Hotel Paradiso, uma comédia deliciosa, que já tinha assistido na Sessão Corujão, iria reprisar naquele dia.


Em outra ocasião, convidei Raquel pra matarmos as últimas aulas e irmos de micro ônibus até o Shopping Pinhais, que ficava um pouco além do fim do mundo, pois queria que ela assistisse comigo A Noviça Rebelde. Deu certo. Mais tarde, quando nos casamos, todas as músicas eram do filme.


Cinemas, estivemos em todos: Condor, o meu preferido. Astor, o da sessão da meia noite. Rivoli, aquele das filas dos filmes de Walt Disney. Ópera, na frente do Avenida. Vitória, aquele muito, muito grande. Scala, o virado do avesso e o Plaza, aquele que tinha um jardim na frente, até chegar nele.


Quando nos casamos, ganhamos uma TV velha P&B, com imagens fantasmagóricas e sem som. Pra assistirmos o canal 12, o único que pegava, ligávamos o rádio FM, que na época, sintonizava canais de TV.


A primeira TV 0 Km, a cores, saiu através do consórcio Sharp. Inesquecível, foi quando finalmente saiu o vídeo cassete no mesmo consórcio. Que emoção! Eu dirigindo com aquela caixa do lado, não vendo a hora de chegar em casa. Antes, passei pra me inscrever e locar minha primeira fita cassete: Excalibur.


Com o passar do tempo a televisão foi aumentando de tamanho e a quantidade de cabeças dos vídeos também. Por pouco tempo, era tudo muito moderno, mas aí veio o DVD, que logo foi substituído pelo Blue-Ray e que agora foi soterrado pela Netflix e outras tantas plataformas digitais.


Mas quer saber? Nada como ir no cinema. Não vejo a hora disto voltar a ser uma coisa normal em nossas vidas. Já não choro mais por causa do som do sino, mas confesso que ainda o desejo.


Foto Cine Marajó nos anos 70 | Devidamente roubada de Carmen Lúcia Bonatto Woellmer.


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