O Bom Companheiro

Estou convencido de que sempre fui um bom companheiro. Quase toda manhã acompanhava meu pai, quando saía pra comprar materiais de construção pra obra de nossa casa ou produtos pra vender na panificadora.


Íamos em diversas lojas de atacado como Batavo, Catei, Sadia, Anaconda e Ballesteros. Lembro que gostava desses passeios. Além de ser uma maneira de ficar perto dele, gostava de passear pela cidade com ele guiando o Opala 70 bege e eu cuidando das estações do rádio.


Fui também o grande acompanhante do namoro de Marta, minha irmã. Naquela época, pra poder namorar era necessário carregar uma vela junto e eu era uma de excelente qualidade.


Foram muitos os compromissos, missas, excursões, viagens e outros passeios em que eu tava junto. Pude aproveitar, já que pra mim tudo aquilo era uma diversão e era melhor que ficar preso em casa.


Minha lida de acompanhante invadia o turno noturno. Fatima, minha outra irmã, dava aulas à noite no Mobral. Zito, meu irmão mais velho e eu, íamos todas as noites, na velha Kombi, buscá-la depois da aula.


Quando a gente é criança, as coisas parecem maiores e os lugares ainda mais longe do que são. Uma Kombi, que naquela época já era antiga, percorrendo ruas de paralelepípedos ou de asfaltos ruins, somado à percepção que eu tinha da cidade, faziam com que o endereço, ao lado do Albergue São João Batista, no Rebouças, parecesse ser no sul da Patagonia.


Íamos, Zito e eu, na escuridão da noite, ouvindo canções na Ouro Verde AM, no radinho de pilhas Mistsubshi pendurado no trinco do quebra vento da Kombi, que claro, não tinha rádio.

Eu era um bom companheiro. Ninguém pode negar...


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