O Balanço

Quando piá, no Seminário, andava de bicicleta por todo o condado e adjacências. Pedalava e viajava por todo aquele lugar.


As lindas casas que existiam nas bucólicas ruas, faziam nascer em mim a vontade, não só de possuí-las um dia, como de criá-las e construí-las. Tava ali, naquelas pedaladas, nascendo um arquiteto ou alguma coisa do gênero.


Esta casa, de linhas modernas e eternas, na Olavo Bilac, sempre foi uma de minhas preferidas. Não sabia o que era balanço, mas a audaciosa ausência de colunas, numa das partes da casa sempre me intrigou.


Quando construía minhas casas, no monte de areia da eterna construção de casa, punha um tijolo sobre outro na transversal, testando até onde o tijolo aguentava sem cair e deixava-o ali, displicente, como o arquiteto que um dia ousou em criar aquele, então, inominável balanço. Era ali, sob aquele tijolo de dois furos, na minha cabeça, duas enormes e modernas janelas redondas, que meus carrinhos matchbox ficavam estacionados.


Hoje, passando pela rua, nesse domingo tão cinza, tao sem graça e tão curitibano, em que me sentia novamente em minha Monark Monareta, e tava pronto pra ainda ficar enfeitiçado por aquele doce balanço, descobri este tapume escondendo sua ausência e anunciando a perspectiva de um novo empreendimento imobiliário no local. C'est La Vie…







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