Nossos Comerciais, Por Favor!

Sabe no que eu tô pensando? Na roupa que vou vestir amanhã... E você já pensou? Este era o meu texto, num dos dois comerciais de TV em que atuei.


Tinha eu vinte e dois anos de idade, tava no terceiro ano da faculdade e ainda tentava trabalhar numa agência de publicidade.


Tentava, pois tinha tantas aulas esparsas, que o meu chefe, além de muita boa vontade comigo, resolveu, depois de saber que eu tinha feito teatro, me escalar pra fazer comerciais. Sem cachê, é claro.


Ter a oportunidade de atuar frente às câmeras e aparecer na televisão, entretanto, eram pra mim, um pagamento mais que justo.


Alguns meses antes, tinha feito um minúsculo estágio no antigo SIR - Laboratório de Som e Imagem, na época, um dos mais completos do Brasil, que fazia, entre muitas outras coisas, a produção de comerciais pra agências de todo país.


A Visão, agência em que eu trabalhava, atendia à Lojas Sacks, que tinha várias filiais e era um nome popular no varejo curitibano e na mídia televisiva naqueles dias.


A campanha continha duas propagandas: uma comigo e outra, gravada à parte, com uma menina, que fazia a mesma pergunta inicial, olhando pra câmera.


Cada um tava deitado em sua própria cama, meio perdido, num desvaneio, com muitas peças de roupas, multicoloridas, como ditava a moda dos anos 80, espalhadas e jogadas, pelo quarto.


Voltar ao Sir, não como estagiário, mas como o ator de um comercial, com a equipe toda preocupada em me filmar da melhor maneira possível, foi muito legal.


No segundo comercial, gravado algumas semanas depois, eu e uma outra garota, távamos em frente a um muro cênico. Era bem politicamente incorreto: à noite, eu, com uma lata de spray na mão, pichava o muro, enquanto ela ficava de butuca, olhando pra todos os lados.


O comercial tinha um tom de galhofa: imagens aceleradas, os dois fazendo caretas sapecas, trilha de pianola, referência ao cinema mudo. No final, aparecia o que tinha sido pichado, algo como: liquidação Sacks. Aproveite que é só até o dia tal...


Foi uma experiência inesquecível e foi bacana a reação das pessoas, que ao me verem na televisão, achavam que tinha ficado famoso. Pena eu não ter uma foto, muito menos a fita com os dois comercias...


Esses tempos fui atrás e, praticamente, os localizei, num acervo de fitas antigas, mantido por uma produtora atual. O responsável, num primeiro momento, se prontificou em gravar digitalmente pra mim. Depois, entretanto, ele me avisou que, infelizmente, não há mais aparelhos capazes de reproduzir aquele modelo de fitas.


Uma pena. Minha meia hora de fama televisiva foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar...


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