Nossas Férias

Atualizado: 12 de jan.

I

Não víamos a hora de finalmente sairmos de férias. Segunda-feira, três de janeiro, saímos de madrugada pra amanhecermos em Caiobá. Pela localização, o apartamento alugado pelo Airbnb, era perfeito pra Raquel nadar cedinho na Praia Mansa.


Chegamos! Veja só, uma vaga na frente do prédio! Que sorte, pensei… Entrei primeiro, pra pegar a chave com o porteiro e ver se tava tudo certinho. Não tava…


A chave não tava lá, o apartamento não tava limpo, nem disponível e nem pra alugar. Na verdade, a dona já tinha, inclusive, vendido o infeliz.


Mas será impossível? O que vamos fazer? O que não nos passava pela cabeça era passarmos nossas férias dentro do carro junto às malas, nem voltarmos pra casa, com as malas entre as pernas…


Ennquanto falávamos com o porteiro e tentávamos conversar com a síndica, com a proprietária e com o Airbnb, fomos atravessando a rua e nos dirigindo ao balcão de checkin do hotel em frente.


Havia vaga, mas era o dobro do preço do apartamento que foi sem nunca ter sido. Cutucando mais, descobrimos que havia outro hotel da rede, à uma quadra da Praia Mansa, pela metade do preço, ainda com disponibilidade, com piscina, com vaga pro carro e que nos seria permitido usarmos a icônica piscina do Mabi, quando bem quiséssemos.


Não tivemos dúvida. Em minutos, távamos, felizes, instalados no hotel, ainda em conversação com o Airbnb, mas sob a segurança de um teto.

Logo Raquel tava nadando pela Praia Mansa, enquanto eu caminhava pela areia. Depois saímos pra passear, aproveitar o sol, almoçar, caminhar na Praia Brava e aproveitar a majestosa piscina encravada no Morro do Boi.

Descobrimos, na tranquilidade da Rua Jardim Alegre, que num determinado momento se encontra com a Rua Bom Jardim, um bom local pra jantar, com bons pastéis, numa mesa sobre a calçada, com um delicioso sorvete de sobremesa.


O dia seguinte, foi só felicidade: Raquel correu, feliz sob o sol, pelo calçadão, até Matinhos, enquanto eu fiz uma boa caminhada, fazendo o reconhecimento do local e descobrindo a beleza agreste da restinga.


Ainda naquela manhã, por meio de tentiva e erro, descobrimos o acesso à uma parte da Praia Mansa aparentemente secreta, dissimulada, na dela e quase erma. Um dia lindo e ela ali, inteirinha só pra nós. Ali pudemos encontrar a natureza, a alegria e a felicidade com certeza.


Voltamos à paz da Rua Jardim Alegre, onde repetimos aqueles bons pastéis e um delicioso sorvete de sobremesa no almoço, sempre ali, livre junto à calçada.


À tarde voltamos à maravilhosa piscina do Mabi e depois caminhamos pela Praia Brava até não poder mais. Compramos uma garrafa térmica pra levarmos café pro hotel e parecia que távamos no paraíso na terra até que vi a previsão do tempo no celular…


A previsão era ruim e previa que o tempo iria piorar até que as nossas férias terminassem. Nosso paraíso tava com as horas contatas, só não podia contar pra Raquel. Ela tava tão feliz e não queria estragar isso…


Vi a previsão em Florianópolis. Era de sol, muito sol no decorrer do período. Entre algumas opções, encontrei uma pousada na Praia dos Ingleses, que me pareceu boa e barata. Cancelaríamos o hotel e iríamos pra lá no dia seguinte. Raquel concordou este era o nosso plano.


II

Na manhã seguinte, descobri que havia deixado o carro com a luz acessa. Távamos sem bateria. O hotel concordou em cancelar os dias seguintes da reserva e o seguro do carro enviou um profissional pra fazer a chupeta na bateria.

Tudo certo pra nossa partida. Confirmando as notícias dadas nos últimos meses, o tempo de espera pro Ferry Boat foi realmente longo. A chuva prevista mostrou-se real e nos acompanhou fortemente pela travessia da Baía de Guaratuba.


Chegar até Garuva, com trânsito ruim e chuva, foi difícil, mas nem

Imaginávamos que o pior taria pra vir: quilômetros e quilômetros, nos arrastando, pé ante pé, de Joinville até Itajaí. Depois mais um engarrafamento em Floripa e outro pra chegar na tal Praia dos Ingleses.

Trânsito, chuva, gente pra todo lado, uma vontade imensa de ir no banheiro e voltas e voltas pra acharmos, no meio daquela muvuca, a tal da pousada.


Quando finalmente a encontramos, descobrimos se tratar de uma espelunca. O sujeito nem tirou os olhos da tela do computador pra nós dizer boa noite e se negou a nos emprestar uma porcaria de um banheiro pra que pudéssemos preencher algum formulário sem que tremesse.


Claro que este foi o sinal divino que não deveríamos ficar ali e claro que não ficamos. Dei a ré, pra sair pelo estreito corredor por onde tínhamos entrado e então nos vimos num lugar desconhecido, à noite, com chuva, sem lugar pra dormir e com uma imensa vontade de urinar.


O último item não foi difícil de resolver. Paramos num posto de gasolina, fomos no banheiro e daí tentamos pensar no que fazer. Tentamos ligar pras outras opções de pousadas e alguns hotéis e nada. Tudo lotado.


Decidimos voltar pra Curitiba naquela hora, mas antes, diante do cansaço, acionamos o Felipe, nosso filho, que de Curitiba entrou numa busca frenética pra nos ajudar.


Deixamos a Praia dos Ingleses. Já távamos no caminho de volta ao centro da ilha, quando ele avisou que tinha encontrado uma pousada com disponibilidade naquela noite na Lagoa da Conceição. Viva!


Descemos até o centro da ilha, mais trânsito, e fomos pra Lagoa. Era um lugar simples e rústico e de braços abertos a nos acolher. Fomos jantar numa pizzaria, ali perto, antenada e da hora. Neste momento, Felipe nos avisou ter encontrado uma pousada bem boa, com lindos chalés, adivinha onde? Na Praia dos Ingleses…


Durante o jantar tentei pagar com PIX, mas devido o horário o banco reduz o limite e o pagamento da pousada, que de complicado, mostrou-se impossível. Diante de tantas dificuldades, e ainda uma inesperada previsão de chuva pra manhã seguinte, jogamos a toalha e decidimos parar tudo e voltar pra Curitiba no outro dia .


Contrariando a previsão, amanheceu um dia lindíssimo na Lagoa da Conceição. A pousada ficava no meio de um bosque, e o local do café da manhã, era agradável, com vista sobre as árvores e para a lagoa. Decidimos tentar mais uma vez aquela pousada da noite anterior. Liguei, ainda havia o chalé vago e desta vez consegui enviar o PIX. Iríamos ficar na ilha!


Depois do café da manhã, seguimos por um jardim, que através de um portão secreto no levava às Dunas ali do lado. Seguimos, descalços, felizes e caminhando pela areia, a caminho da Joaquina.


Naquele sobe e desce, sem fim, sob um céu de anil, encontramos um oásis. Tudo era surreal e a diferença de condicionamento físico entre marido e mulher ficou evidente: Raquel saltitante e eu ofegante.


A jornada só teve fim quando encontramos uma cobra-coral, sabe-se lá se verdadeira ou falsa ou viva ou morta. Não chegamos perto o suficiente pra descobrir. Só fotografei meio de longe e voltamos dali mesmo.


Almoçamos ali perto e chegou a hora de partir. O rapaz simpático da pousada nos indicou o melhor caminho, que não era pelo centro e por ele fomos, descobrindo uma Floripa que não conhecíamos: Praia Mole, Barra da Lagoa, Rio Vermelho, até chegarmos numa Praia dos Ingleses muito diferente daquela que havíamos encontrado na noite anterior.


Ensolarada e acolhedora, a pousada descoberta pra nós pelo Felipe, mostrou-se uma delícia. Dela saímos pra passear pela Praia dos Ingleses, agitada, movimentada e cheia de ondas, fomos nadar na Praia da Daniela, calma, sem ondas e deliciosa e passear na Praia do Jurerê, elegante, charmosa e exclusiva.


Nossa semana de férias que começou de forma difícil, mudou pra algo promissor, que transformou-se num pesadelo, até virar um sonho. Um Sonho de Uma Semana de Verão.


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