Naquele Banco

Caminhando pelas calçadas das, pra mim, desconhecidas ruas centrais da Princesa dos Campos Gerais, encontrei a praça do lugar, uma linda igreja numa das esquinas, um antigo colégio na outra e a setecentésima septuagésima sétima farmácia de uma rede local, numa outra.


Pensei, é lá que vou matar minha sede. Comprei uma água e tentei comprar uma paçoca. Só vendiam o pacote. Comprei.


As velhas árvores da praça refrescavam aquela luminosa e quente tarde de inverno. Pensei, é ali que vou passar os minutos que tenho de esperar.


A praça tava em reforma. Isso, se por um lado roubava a paz do logradouro, por outro, trazia uma sensação de segurança, de não ser facilmente roubado ali.


Procurei por um banco e talvez por causa das obras, poucos deles estavam à disposição.


Havia um, com um homem sentado nele. Sentei ao seu lado. Ele balançou a cabeça. Ofereci-lhe uma paçoca. Ele agradeceu e negou.


Conversamos sobre o frio de Curitiba de antigamente e sobre o calor que fazia ali, naquela tarde. Ele falou sobre a pouca quantidade de pano que as mulheres usavam com aquele calor e a grande quantidade de raparigas, na cidade, naqueles dias.


Ele se levantou, se despediu e foi embora. Como um Manoel da Nóbrega do interior, esperei pelo próximo...


Logo, um outro sentou-se ao meu lado. Ofereci uma paçoca ao homem. Ele agradeceu e também negou. Acho que pouca gente gosta de paçoca naquela região.


Perguntou de onde eu era. Disse, que de Curitiba. Questionei como sabia que eu não era dali. Falou que aquela praça era perigosa. Só tinha sentado, porque o banco já tava ocupado por mim.


Disse que havia ali muitos maus elementos, drogados e por consequência, assaltos. Comentei que com tantos operários trabalhando imaginava que seria mais seguro. Ele concordou comigo.


Contou-me sobre sua irritação com os cartórios da cidade. Falei que era preciso ter calma com estes assuntos. Chegou uma mensagem. Tinha acabado minha espera.


Levantei e disse: Reze por mim: amanhã operarei o joelho. Ele disse: não se preocupe. Tudo dará certo!


Agradeci e saí com meu passo levemente, aqui tá raso, aqui tá fundo, pensando: o que farei com tanta paçoca?


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