Na Kombi

Qualquer viagem era uma grande aventura naquela época. Eu era um piá e estar na estrada significava alcançar o inatingível.


Quando saíamos de Curitiba, pra vencer a estrada pro interior do Paraná, sabia que a viagem seria longa e que muitos seriam os obstáculos a serem vencidos.


A Kombi não era potente, havia muitos caminhões pra ultrapassar, numa estrada de mão dupla, em construção e com pregos e óleo na pista.


Rezava-se um terço ou era o rosário completo, pois a ladainha era longa. A reza fazia parecer que a viagem era ainda mais demorada e perigosa na cabeça de um menino.


Era uma sucessão de cidades: Campo Largo, Ponta Grossa, Castro, Pirai do Sul, Jaguariaíva, Calógeras, Arapoti e Wenceslau Brás pra finalmente enxergamos de longe a antena da Rádio Bom Jesus, pra sabermos que estávamos chegando em Siqueira Campos. Esse momento era uma festa.


Como criança vai no banco de trás, minha visão era do que passava e não o que iria passar. Tinha então meus pontos particulares, os quais ia alfinetando num mapa mental.


Um desses pontos, era uma bola. Na época, bem verde e que agora nem verde é mais. Eu não sabia o que significava aquilo, mas achava interessante, imponente, moderno, elegante e instigante. Era simples, forte e presente.


Hoje sei que era um marco da administração do governo Paulo Pimentel, que construiu a estrada. O círculo verde o acompanha até hoje, como símbolo, mesmo que redesenhado, do seu grupo empresarial.


O marco era tão simples e forte que está presente e intacto até hoje na beira da estrada.


Muita coisa mudou naquele caminho. Distâncias diminuíram, populações aumentaram, industrias evoluíram e o marco ainda tá lá. Não mais tão verde como era, mas ainda em pé.


A viagem hoje é muito mais curta, segura e sem ladainha. Descobrir que um marco que já foi um dos meus alfinetes preferidos no mapa mental da minha infância, ainda está lá, foi uma outra viagem...


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