Na Cabeça

Por mais que aprontasse, Indiana Jones nunca perdia seu chapéu.


O chapéu ele não perdia, mas a história do chapéu se perdeu. Enquanto uns dizem que o famoso chapéu é brasileiro, de Campinas, outros garantem que é inglês, de Londres, outros afirmam que é italiano, de Alessandria, enquanto outros juram de pé junto, que o famoso chapéu é espanhol, de Sevilla.


Devo ser uma alma antiga, que já viveu nos tempos dos chapéus. Ao contrário de Indiana, já perdi alguns por esse mundo a fora, mas a história deles, guardo dentro do coração, ou da cachola, sei lá.


Foi quando morávamos sobre o Shopping Água Verde, em que os corredores das lojas, faziam parte da nossa casa, numa loja da Ellus, que me apaixonei pelo meu primeiro chapéu, um Panamá.


Como reza a tradição, era feito no Equador e parecia feito sob encomenda pra mim. Gostava muito dele e me acompanhou em muitos dias de sol e em algumas viagens.


Foi numa dessas ocasiões, numa praia de Cancún, com espreguiçadeiras sobre a areia, ao invés de toalhas, de onde fomos embora à noitinha, que o meu amado Panamá foi esquecido.


Quando voltei pra procurá-lo, não encontrei nem sombra dele, até porque já era noite escura. Se fosse em Guaratuba, não teria perdido…


Além de chapéu, sempre gostei de boné. Estávamos em Londres e esta era a grande oportunidade de ter um boné inglês autêntico.


Encontramos um, bonito, numa simpática lojinha, naquelas galerias que ligam duas ruas, tipo Minerva e Suissa, só que mais charmosas.


Era setembro e o tempo em Londres tava daquele jeito. Não tirei o boné da cabeça e já tava sendo confundido com um daqueles da Câmara dos Lordes.


Chegando em Paris não usei tanto o boné. O desuso foi tanto que embarcamos pra Roma, esquecendo o boné e um lindo chapéu que tínhamos comprado, também em Londres, pra Raquel.


Ficaram na prateleira alta do armário do quarto do hotel. Como, se na desordem do armário embutido meu boné e o chapéu dela, ficaram enlaçados e esquecidos.


Muitos telefonemas, pedidos e solicitações, não foram suficientes pro hotel fazer o favor de despacha-los pra Curitiba. Temos, pelo menos, as fotos, daqueles que foram nossos, por duas inesquecíveis semanas.


Numa outra viagem, caminhando sozinho pela famosa Magnificent Mile, a Avenida Batel de Chicago, vi um chapéu maravilhoso na vitrine.


Naquela época a Burberry era uma marca tradicional, mas não ainda o ícone fashion mundial de hoje. Foi lá, que atendido por um gentleman, saí coroado com meu chapéu inglês legítimo, que até hoje, só tiro da caixa, ora pra escovar, ora pra usar.


Estar na Alemanha me deu a oportunidade pra conseguir um substituto do meu efêmero boné inglês, por um eterno boné alemão. Este até hoje, não perdi e não pretendo perder.


Pra substituir o Panamá esquecido, tinha sido providenciado um outro da Casa Edith. Virou o chapéu da praia e acabou se perdendo na maresia. Ficou de um jeito que nem pra usar na praia dava, pois o coitado esfarelava.


Foi passeando pelo Pelourinho, com a cabeça quente com o sol soteropolitano, que me encantei com um outro Panamá na vitrine.


O lugar era turístico, a loja tão turística que a moça usava turbante. O amor é mesmo cego e como um bom turista, saí de lá com o Panamá na cabeça, feliz da vida.


Sempre gostei dos chapéus dos detetives dos filmes Noir, dos Intocáveis, de Indiana e claro, daqueles das fotos de antigamente. Meu pai não gostava de chapéu. Eu gosto. Nisso pelo menos, não puxei a ele. Na única foto que tenho de meu avô, adivinhe, ele tá de chapéu. Vai saber...


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