Número da Sorte

Dirigir é como tomar banho, proporciona a possiblidade de pensar na vida, em coisas importantes e outras, bem longe disso. O pensamento, este danado, escorre pelo ralo ou dobra as esquinas comigo e sem parar, vai longe.


Dirigindo por aí, com o inesperado calor do inverno atípico, após ver o quarto ou quinto Porsche na rua, o último conversível, primeiro pensei que este primo rico do fusca tá ficando popular por estas bandas e segundo, me lembrei de um antigo filme do bom e mal humorado Pato Donald.


Não sei o por quê nem onde essas lembranças ficam guardadas. Ao cricarmos na aba da pasta onde tão gravadas, puf, surgem do nada.


Na história, Donald que nunca teve um emprego certo, trabalha como frentista de um posto de gasolina, enquanto seus sobrinhos, já adolescentes, restauram um carro velho numa oficina nos fundos do posto.


Ao meu ver, o tema do desenho é a cegueira. Num primeiro momento, pra conseguirem gasolina e buscarem o Zoom V-8, o super carro esportivo que o tio ganhou num sorteio, eles montam uma incrível farsa, com um dos sobrinhos travestido e deixam o tio cego de paixão pelo sobrinho montado de loira fatal.


Quando voltam, felizes, pra entregar o prêmio ao tio ranzinza, fazendo uma surpresa, ele, puto da vida, por ter descoberto que fora enganado por eles antes, e cego de ódio, destrói o lindo esportivo que tinha acabado de ganhar.


O filme se chama Lucky Number, Número da Sorte, tem direção de Jack Hannah e música de Paul Smith. É de 1951 e pode ser visto aqui.


Tanto a paixão quanto o ódio, podem nos cegar. Penso que o colírio capaz de fazer com que enxerguemos sempre a realidade sem deformação e capazes de tomarmos as melhores decisões diante dela, seja o bom senso. Sentimento que nosso amigo pato, por mais que a sorte o persiga, nunca teve, nem terá.


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