Meu Carro é Vermelho

Brincar é o que mais gostava de fazer. A nossa casa no Seminário era velha e grande e sempre havia alguma coisa pra um guri, como eu, descobrir naquele jardim, que pra mim era imenso.


Havia muitas árvores, em fila, acompanhando o jardim, que deixavam a casa meio escondida, mesmo sendo de esquina. Lembro da calçada de tijolos antigos assentados tipo espinha de peixe, ladeadas com flores coloridas, cujo nome fui descobrir depois, eram funcionárias.


Aquele dia foi marcante pra mim. Acredito que era meu aniversário, pois ganhei um presente do meu irmão mais velho, José Carlos Roble, o Zito. Nunca, na minha vida esqueci daquele presente: um carrinho vermelho de pedalar.


Acredito que eu tinha entre três a quatro anos. Tava saindo, de tardezinha, sorrateiramente pela porta da sala que dava pra grande varanda, que envolvia a casa, quando, de repente, ele apareceu com um baita pacote dizendo que era pra mim.


Foi uma enorme supresa! O que poderia ser, tão grande assim? Bem rápido, rasguei o papel e descobri aquele fantástico carro conversivel, com pedal.


Lembrava que tinha uma tampa no capô, com um motor prateado dentro. Faróis redondos na frente, buzina de verdade e que era lindo.


Nossa, que alegria quando entrei e meu irmão explicou como fazia pra pedalar e saí, com as luzes acessas no lusco-fusco do entardecer pela varanda de piso hidráulico, feliz da vida.


Procurei na rede alguma foto ilustrativa, sabendo que as pessoas gostam de comentar sobre a foto e ignorar o texto.


Pensava em procurar apenas uma foto de um carro parecido com o presente do qual nunca esqueci, mas acabei encontrando a foto do próprio carro.


Descobri que se tratava de uma Ferrari, que é óbvio, nem sabia o que era. Encontrei a foto no site da Bandeirante S.A., a fabricante, que inteligentemente, tem a seção Museu do Brinquedo, com todos os produtos e informações sobre os lançamentos de cada década.


Como Buzz Lightyear, na loja de departamentos, descobri que meu carro, era o modelo Ferrari Ordem 470, o grande lançamento de 1967. Ele brilhava no anúncio, estampado nas revistas da época, aparentemente ilustrado pelo Ziraldo.


Tenho aquele dia, aquela sensação e aquela emoção claros em minha memória. Tenho também, um sentimento de gratidão a todos, como o Zito, que, através de coisas boas, me fizeram ser quem sou. Aos outros também agradeço. Me ensinaram a ser mais forte.


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