Matando a Saudade no Peito

Atualizado: 8 de jun. de 2021

O fim da Visconde de Guarapuava, linha que determina onde termina o Batel e onde começa o Seminário: meu campo de atuação nos anos 70. As ruas por onde passava, as calçadas por quais caminhava livremente naquelas manhãs de minha infância ficavam por ali, sem muitas regras.


A foto, provavelmente do final da década de 50, mostra embaixo, na ponta direita, Jairzinho, quer dizer, o Centro Espírita Ildefonso Correia, do jeito que ele ainda é hoje. Na ponta esquerda, mesmo a contra-gosto, Rivelino, ou melhor, a bela e esquecida casa na Sete de Setembro, espremida entre as esquinas da Cândido Xavier e da Castro Alves. Dizem que quem morou nesta casa, na década de 50, hoje abandonada, foi o pintor e professor Guido Viaro.


Um pouco à direita, próximo à linha de meio-campo, onde se vê um grande terreno baldio na esquina da Visconde com a Cândido Xavier, foi construído, pela Habitação S.A., o Edifício Dona Amélia.


Estive, não me pergunte como, visitando suas obras. Era comum eu fazer isso. Era um rato de obras e subi até o topo do prédio e vi, lá de cima, toda a região, numa bela vista de tirar o fôlego. Imagina isso hoje, os piás de prédio não saem nem na rua, quanto mais subirem, pelas escadas de um prédio em obras, até o topo.


No fundo do tereno, haviam, e ainda há, algumas casinhas geminadas. Numa delas morava dona Rosária e seu José, a quem meus pais trataram logo de apelidar de seu Terço. Depois, ficavam com medo de o chamarem assim na frente dele.

Dona Rosária era professora no Dom Pedro II junto com minha mãe e tornaram-se muito amigas. Íamos muito à casa deles, passear aos domingos, já que tinham duas filhas e todos, das duas famílias, viraram um time, ficando amigos.


Nesse tempo regularmentar, meus irmãos mais velhos, vindos do interior, querendo dar uma de grã-finos e impressionar as moças do Batel, fizeram alguns impedimentos soltando pérolas como: me passe o galfo, por favor ou vamos jogar dominorr? Essas bolas foras foram, e ainda são, motivo pra muitos risos em minha família.


Ao lado do terreno vazio, bem na marcação do centro do campo, dá pra ver a antiga fábrica Hugo Cini. Ali era fabricado as famosas gasosas e também o inesquecível Wimi. Lembro de ir comprar gasosa lá, pois tinha algo como loja da fábrica. No mesmo local, encontra-se hoje, o Colégio Dom Bosco.

Saindo da retranca e indo logo pro lado do time adversário, vemos primeiro o vistoso Dom Pedro II, onde aprendi o beabá e o então, Internato Paranaense, onde aprendi, entre outras coisas, que todo corpo mergulhado num fluído recebe um empuxo de baixo pra cima, que é igual ao peso do volume do fluído deslocado.


Mais à frente do Paranaense, já na grande área, depois da curva, é possível ver um minúsculo e quase imperceptível ponto preto. era o nosso pocinho, que ficava em frente à minha casa.


Indo pra linha de fundo, duas estrelas da área do Seminário brilhavam: o Cine Marajó, inaugurado em 1957 e a Fábrica de Malas IKA, que naqueles anos 50 brilhavam fazendo bonito no gramado.


No campeonato da recordação faz distintivo do seu coração. Que as jornadas da vida, são bolas de sonho que o craque do tempo chutou...

Foto presenteada por Luiz Venske


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