Marvada Pinga

Mudando de saco pra mala, às vezes, um chocolate era imperativo.


Naqueles tempos, pré-pré-diabetes, me deu uma vontade incontinente de comer chocolate. Parei numa, loja, daquelas bem convenientes, de um posto qualquer e visualizei um, de uma tal marca, duvidando da própria visão, pois das últimas vezes que a tinha procurado, não a encontrei.


E não é que tava lá, na gôndola da frente, aquela vaca lilás, a um preço indecente, sorrindo pra mim?


Resolvi desfrutar daquela luxúria toda e encarar o prejuízo. Comentei no balcão: A vida é curta, e depois, vou comendo aos poucos pra aumentar a duração do prazer e potencializar o custo-benefício.


Comi, pensando que paguei por algo que podia realizar. E aquelas delícias que hoje, fica só no pensamento, só na memória, só na vontade, só na lembrança?


Lembrei do Kri, o chocolate do barulho, que causava um terremoto a cada dentada. Era muito bom, apesar de não acontecer o que o reclame propagava.


Outro era o Sem Parar, Sem Parar, Sem Parar você para de comer, Sem Parar só pode ser biscoitinhos cobertos por chocolate Nestlé...


O garoto propaganda era o Pelé. Um saquinho branco, com bolinhas crocantes. As mais escuras, com chocolate amargo e as mais claras, com chocolate ao leite. Como era bom aquilo! O nome era verdadeiro.


Dentro destas recordações chocólatras, tem um que me pega, também pelo gosto, mas não somente por ele: o Choco Preto e Branco.


Além daquelas balas redondinhas, que pareciam Melhoral Infantil, era ele que meu pai trazia pra mim, num cantinho da pequena maleta verde, quando voltava de uma viagem.


Metade preto, metade branco. O ébano e o marfim, convivendo pacificamente em minha memória gustativa. Bom, cada um sonha com a pinga que mais lhe apetece.


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