Maria Alice T01 C02-03

Naqueles tempos, Curitiba ainda não era a metrópole que é hoje. Comparada àquela pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul, lá no calcanhar do Brasil, entretanto, era uma diferença arrebatadora.


Hábitos, costumes, rumores, personagens, histórias e passeios totalmente diferentes de sua realidade, foram instantaneamente incorporados à rotina e à vida de Maria Alice.


Três coisas, entretanto, independente de sua vontade eram nítidas e claras: ela era de fora, vinda de uma capital distante e era uma advogada formada numa Universidade Federal.


Isto tudo somado a uma natural aptidão a se destacar perante à maioria, fez com que rapidamente Maria Alice se visse contratada como uma das advogadas do, praticamente, único escritório de advocacia da cidade.


A legislação daquela época, diferente de agora, não dispunha de defensoria pública. Assim, muitos e muitos casos eram passados aos escritórios, que por menor que fossem, viam-se abarrotados de causas a serem defendidas.


Maria Alice, no alto de sua falta de experiência e sob o brilho de sua fama de advogada vinda da capital, quando se viu, tava perante ao júri, como defensora dos fracos e oprimidos, dando pano pra manga em sua fama de paladina da justiça.


Uma das causas impossíveis, tratava de invasões de terra, onde o vizinho, após invadir a propriedade alheia, ameaçar e atacar a família do outro, foi assassinado pelo patriarca da família atacada. Maria Alice foi lá, juntou fatos, provas e trechos bíblicos, defendeu o homem e garantiu a liberdade dele.


O acaso, esse velho ingrediente de nossas vidas, fez com que um de seus novos amigos da cidade acabasse comprando uma rádio e convidou a jovem advogada a ajudá-lo na nova atividade que arranjara pra si mesmo.


Inicialmente contratada pra cuidar dos textos dos anunciantes, devido à sua experiência com publicidade, quando Maria Alice viu, tava trabalhando frente ao microfone, lendo os anúncios que ela mesmo escrevia.


Como uma espécie de Ana Maria Braga dos Pampas, não demorou pra que Maria Alice ganhasse seu próprio programa na rádio, pela manhã, na hora que as donas de casa preparavam o almoço, cada uma em sua casa, tava ligada na voz feminina que vinha do rádio.


O que começou por acaso, logo se transformou num sucesso regional. O que Maria Alice anunciasse na rádio vendia que nem água. Se falava de um determinado produto, ele rapidamente sumia das prateleiras, devido à credibilidade de quem o anunciava.


Certa vez, Maria Alice propagandeou que tava usando uma nova cor de esmalte, à venda numa farmácia anunciante da rádio. Quando saiu do estúdio, metade da cidade tava lá, esperando pra conferir a beleza da nova cor de suas unhas.


Naquela minúscula cidade, perdida no nada, ela aprendeu a se reconstruir e como tudo que faz em sua vida, em vez de lamentar, lutou e acabou virando referência pra aquela cidadezinha.


Continua…


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