Marcia Adriana

Minha casa era grande e sempre cheia de gente. Pra mantê-la limpa e em ordem, minha mãe era obrigada a contar com o auxílio luxuoso de empregadas domésticas.


Sempre entrando e saindo, elas, na sua maioria, não duravam muito. Algumas, entretanto, ficaram na memória e uma dessas foi Márcia Adriana.


Mulata escultural, digna do escrete do Sargentelli, Márcia era na verdade, uma das Bem Boladas do Batel.


Com suas sandálias de salto alto e compridas unhas pintadas de rosa choque, ela não deveria ser muito eficiente nos trabalhos domésticos, mas era de alegria e simpatia únicas.


Minha mãe chamava-se Josefina. Na linguagem peculiar de Marcia, era dona Jorfina.


Paulo, meu irmão, a quem ela chamava de Paulinho, era o seu protegido. Isso tudo deixava minha mãe tiririca, mas o que ela podia fazer?


Uma tarde, numa folga dela, combinamos de irmos juntos passear no centro da cidade.


Me arrumei e fiquei a esperando no quintal. Logo a vi saindo do seu quarto e levei um baita susto.


A nega maluca me apareceu de peruca. E era uma peruca medonha. Eu disse: O que que é isso? Com essa peruca, eu não entro com você no Barigui nem a pau!


Mas Renatinho, eu me arrumei tanto... Eu devia ser um piá muito chato mesmo, pois a solução foi ela colocar um lenço bonito amarrado na cabeça, já que sem nada, ela não aceitava ir.


Não lembro do nosso passeio, apenas do imbróglio da saída, mas penso que fomos nas Lojas Americanas e que foi muito divertido.


Sempre que passo em frente do lindo prédio da Sociedade Beneficente dos Operários do Batel, lembro da alegria de Márcia Adriana e de sua triste peruca...

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