Irmã Lua

Andar por lugares em que nunca vamos, permite-nos encontrar pessoas que nunca vimos. Não foi pensando nisso que estávamos no interior de uma tradicional loja de armarinhos em Santa Felicidade, mas foi isso o que acabou acontecendo.


Procurávamos ali, através da indicação de nossa comadre, sacos de algodão branco alvejados pra fazer panos de prato. A loja é grande e com artigos variados e foi contando os alvos sacos dispostos sobre a mesa, que a vimos passar.


Tinha o tamanho e o aspecto de um Círio Pascal. Era pequena e delicada, como um passarinho e com exceção das sandálias pretas, tudo nela era imaculadamente branco.


Seu véu era de uma brancura Rinso, assim como seu hábito e o cardigan de tricot que usava sobre tudo. Além disso, do pouco que se via, notava-se que seus cabelos eram brancos como a neve.


Ela vinha caminhando lentamente pela loja junto ao dono e escutei quanto perguntou com uma voz baixa, mas clara: o senhor, já era o proprietário da outra vez que vim na loja?


O homem respondeu que não. Que fazia alguns meses que ele tinha assumido a loja. No que ela disse: então, capriche e ofereça seu trabalho a Deus pra que ele o abençoe. Isto é o mais importante. A fundadora de nossa congregação já dizia: Deus, só!


Fiquei pensando, enquanto ela passava pelo corredor, que coisa fantástica, uma vida toda de fé, entrega a Deus e de doação ao outro. Na hora de pagar, comentei com a moça do caixa, que tava admirado pela presença luminosa e mágica daquela freirinha na loja. Uma doce Irmã Lua.


A moça me disse: quero ser como ela, forte e lúcida, fazendo compras, sozinha pelas lojas do bairro, com cem anos...




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