Genoveva

Na minha idade, você pintava o sete. Mamãe tem ódio de uma tal Elizete...


Naquelas tardes, as festas de aniversário eram preparadas em casa mesmo. Muitos brigadeiros, beijinhos, coxinhas e empadinhas, forravam a mesa com uma toalha bem passada e pratinhos com canudinhos com maionese, faziam a festa da petizada.


O ponto focal da mesa era o bolo, simples e caseiro, com massa de Pão de Ló em camadas com recheio de morango, suspiros e uma deliciosa cobertura de pura nata ou, às vezes, com aquela meleca medonha à base de margarina, que eu odeio.


Ladeando o bolo, dois pontos secundários, mas não menos importantes: de um lado, um chuchu enleado com papel alumínio, aparecia enfeitado com palitos de dente com o trio: Azeitona, vina e queijo prato lembrando um apetitoso porco-espinho, e do outro lado, um prato, daqueles com um pé central, repleto de balas de coco enroladas, uma a uma, com papéis de várias cores, cortados em pequeninas tiras, que no conjunto parecia um enorme e colorido pompom.


Conta a lenda que na cidade em que nasci, antes de eu nascer, havia uma doceira muito conhecida, que queria muito bem ao seu Manoel, meu pai, que sim, já era casado com minha mãe.


Volta e meia a doceira mandava doces pra agradá-lo. Dentre os quitutes, o mais constante, eram suas famosas balas de coco. O nome da doceira não era Elizete, era Genoveva. Desconfio que minha mãe, entretanto, como na canção, nutria um certo ódio, a cada bala de coco que embalava pra colocar no tal prato.


E a cada anúncio de festa, todas as crianças, ingenuamente, gritavam: Oba! Vai ter Balas Genoveva!!!


Cada vez que ouço a música da Rita Lee, sobre o ódio à tal Elizete ou sobre qualquer sirigaita rondando homens casados, lembro da tal Genoveva e suas doces balas de coco, enleadas uma a uma, que tanto embalaram nossas festas...


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