Frei Gabriel Ângelo

O dia se transformava em festa quando ficava sabendo que frei Gabriel Ângelo iria almoçar em nossa casa no Seminário.


Grande amigo do meu pai, Frei Gabriel era também, um grande admirador da comida de minha mãe. De uma hora pra outra, num dia de semana qualquer, ao tocar o telefone, o almoço recebia um upgrade e eu era mandado ir correndo até o armazém mais próximo pra comprar uma garrafa de vinho tinto Sulino.


Quando ele chegava com suas sandálias tipo franciscano, sua roupa marrom de Capuchinho, sua barba branca comprida, chacoalhando um rosário amarrado na cintura e dando uma sonora gargalhada no final de cada frase, era como se o natal fosse antecipado pra aquele dia.


Frei Gabriel não era apenas um religioso, um padre qualquer. Era um gênio. Engenheiro, arquiteto, pintor, compositor, músico e cineasta. Produziu e dirigiu um dos primeiros filmes produzidos no Paraná e que hoje faz parte do acervo do Museu de Imagem e do Som: Senhor Bom Jesus da Cana Verde, o padroeiro de minha cidade natal.


Sei que além de Siqueira Campos, ele também trabalhou e ajudou transformar outras cidades como Ponta Grossa e Capitão Leonidas Marques, no Paraná.


Durante suas visitas, mostrava meus desenhos e pinturas a ele, que não se limitava a elogiar. Dava dicas, além de algumas críticas, sempre acompanhadas de boas gargalhadas, pra não me desencorajar.


Parecia um cometa que surgia e que nunca sabíamos quando voltaria a brilhar por ali novamente.


Tive a felicidade ter sido batizado por ele e depois, a sorte de contar com sua presença, ajudando a celebrar nosso casamento.


Faz alguns anos que ele partiu. Tinha voltado à sua terra, Veneza pois tava com Parkinson. Espero que teja bem onde tiver. Uma longa vida dedicada a Deus e às pessoas. Rolam até papéis pra sua canonização. Pra mim, um verdadeiro gênio renascentista renascido.


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