Ford Bigode

Tava andando por aí, pelas ruas do Bigorrilho, quando de repente, virei Zezé, o fedelho d'O Meu Pé de Laranja Lima, ao ver um Ford Bigode 1929, estacionado sobre a calçada.


Mesmo temendo que o Portuga aparecesse a qualquer momento, não me contive: fiquei ali, suspenso, por instantes, espiando, admirando, namorando e fotografando o belo Calhambeque.


O Ford Modelo A, de Advance, foi inspirado nos luxuosos Lincoln. Isso trouxe toques de sofisticação que não haviam no famoso e revolucionário Modelo T, que era mais alto, curto e estreito.


Henry Ford caprichou: motor 4 cilindros, câmbio de 3 marchas, 105 km/h, partida elétrica, sistema de ignição com distribuidor e bobina, amortecedores hidráulicos e freio nas quatro rodas.


Graças a ele, a Ford, usando e abusando do fordismo e do Taylorismo, recuperou a liderança do mercado.


Em 1932, depois de 5 milhões de unidades vendidas em todo o mundo, ele saiu de linha. Com o crack da Bolsa em 1929 e a Grande Depressão que veio na esteira, os compradores evaporaram.


O Portuga não apareceu e eu fiquei ali, secando as rodas raiadas, a lataria, o radiador, os pneus finos, seus faróis empinados, seu lindo design. Era num desse que o rei tinha mil garotas pra passear com ele.


Eu não queria ter mil garotas pra passear, deve dar muito trabalho. Pelo mesmo motivo, não queria ter um Ford Bigode. Penso que ter carro antigo é como ter cachorro grande. É bom de se ver na rua, admirar, achar bonito, mas é muito melhor não ter que o levar pra casa. Deve dar um trabalho...



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