Foie Gras

Vivemos a época do instantâneo. Do vai ser bom não foi? Tudo é pra agora e o já é tão rápido que logo já era. Aconteceu algo aqui ou do outro lado do planeta e imediatamente ficamos sabendo.


O mais estranho, entretanto, não é a rapidez com que tudo acontece. É a nossa impotência diante dos fatos.


Adianta sabermos tanto e tão rápido, se quem, por dever, deveria saber, declara que não sabe, não sabia, não quer nem saber e não faz nada a respeito?


Ficamos cúmplices das questões que ficamos sabendo, que não vemos serem resolvidas e são soterradas por outras novas e que logo serão, sistematicamente, esquecidas.


Acontecimentos, importantes ou não, que ao serem embalados de forma idêntica, perdem o valor, o peso e a importância.


Estamos anestesiados com tanta urgência Hoje, ninguém mais escolhe feijão, azeitona vem sem caroço, mexerica vem descascada e o frango desossado. Recebemos tudo mastigado e será que isso é bom?


Precisamos reaprender a aprender, a separar, a detectar, a desconfiar, a descascar, a pensar e a agir.


Apenas assistir a tudo instantaneamente, sentindo-se bem informados e por isso, poderosos, lembra uma plantação de gansos que recebe excesso de comida goela abaixo com segundas intenções. Pode ser isso que os donos do mundo desejam de nós...


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