Fazendo as Contas

Às vezes penso: existo pra que? Não sou importante, nem herói, nem soldado desconhecido, nem nada. Será que sobro neste planeta? Será que tenho algum valor? Será que faria ou farei alguma falta?


Não ajudo tanta gente como poderia ou deveria ajudar, apenas os que tão, de alguma forma, mais próximos. Não vivi tanto com meus pais como eu gostaria, nem com meus irmãos. Cada um cumpre seu caminho. Mesmo sem pandemia, quase nunca via meus amigos. Agora que o normal é ser mascarado, cada um segue sua vida.


Já plantei um livro, tive árvores e descrevi filhos. Não sei se tenho sido um bom pai, tenho sempre essa dúvida. Não sei direito qual meu propósito, mas luto pra pagar as contas e pra que não falte nada em nossas vidas. Penso se isso não é muito pouco ou se querer mais que isso não seria querer passsar por mártir.


Independente de religião, que assim como futebol, quero distância, tento viver uma vida normal de forma plena, dando valor a cada dia e tal, mas daí penso se isso não é muito básico, se a vida não espera mais de mim, algo menos commodities e mais nobre, tipo uma safra especial e rara.


Daí volto ao começo: existo pra que? Pra ser mais um Obama ou quem sabe um Luther King, ou pra ser eu mesmo, um ninguém e penso, será que não é isso mesmo? Um ninguém, que somado a outros ninguéns, formamos uma grande e inculta irmandade.


Vivendo em busca de um motivo, um azul aqui, um brilho ali, um sorrido acolá, sigo ciente de que a soma de quase nada, pode levar a um tudo onde o ter não tem tanta importância, mas o ser humano deveria ter.



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