Famoso Quem?

Não assisto televisão. Isso não quer dizer que não veja, de vez em quanto, na hora que eu bem entender, sem comerciais e no computador, alguns programas de entrevistas que eu gosto, como o do Bial.


Assim, assisti naquele dia, a entrevista com Elza Soares, a Mulher do Fim do Mundo. Ela contou sobre algo que ocorreu certa vez, quando jovem, mas já viúva, ao cantar na noite pra se sustentar.


Naquela noite, um sujeito solitário, sentado na frente dela, de terno branco, com um buquê de rosas, assistia calado, sem piscar, o show da então estreante.


No final do show, o cavalheiro, tentou entregar as flores, dizendo: - Rosas, para uma rosa.


Ela, desconfiada do sujeito e muito interessada em não ter nem demonstrar interesse por ninguém, foi logo dizendo: - O senhor tá enganado! Meu nome não é Rosa, é Elza! E eu detesto esse tipo de flor!

O homem, sem jeito, disse-lhe: - Desculpe-me, nem me apresentei, é que você canta lindamente minhas músicas... Meu nome é Lupicínio Rodrigues.


Sem jeito mesmo, ficou Elza Soares, que não sabia onde colocar a cara. Isso me lembrou uma história antiga, que o Zé Maria Santos nos contava.


Haveria em Brasília, uma votação importante pra classe artística, principalmente, a teatral e ele, como presidente da Associação dos Produtores Teatrais, tava lá, representando o Paraná.


Numa roda de conversa, antes de entrarem no plenário, algumas pessoas conversavam, num grupo, sobre as questões a serem votadas.


Uma moça em especial, muito articulada, inteligente, bonita, informada e ideológica, chamou a atenção do Zé Maria.


Olhando admirado pra ela, de óculos escuros e soberana, ele exclamou: - Gostei muito do que você está propondo. Como é seu nome?


Ela se virou pra ele e sorrindo, disse: - Dina Sfat. Ah, é claro, disse ele... E o Zé, é claro, não sabia onde colocar a cara. Dina era, uma das maiores atrizes do Brasil.


Certa vez, ao chegar num evento de design, no início da revitalização do Rebouças, fui caminhando por entre as pessoas, como acontece nessas ocasiões, procurando alguém conhecido, naquele mar de gente desconhecida.


Encontrei, uma amiga da faculdade e o diretor do Centro de Design, que eu já conhecia. Havia outras pessoas na roda, entre elas um senhor muito simpático.


Me apresentaram, este é Fulano de Tal. Eu, prontamente, disse-lhe: -Muito prazer em conhecê-lo. E emendei: - Que bonita exposição, não?


Perguntei, e ele me contou, que já havia morado em Curitiba há muitos anos, que gostava muito daqui, que era arquiteto, que teve uma loja aqui, que não deu certo, que voltou pro Rio, e que lá continuou trabalhando com design.


Que bacana, disse, também sou designer e contei, em poucas palavras, o que já tinha feito até ali.


Nisso, era hora dos discursos, o pessoal lá no palco, apontou pra nossa direção, os olhares e holofotes nos atingiram.


Agora vamos chamar, com muita alegria e orgulho, um dos maiores nomes do design do Brasil, que nos dá a honra de sua presença. Meu companheiro de conversa, educadamente, me pediu licença e caminhou solenemente pro palco.


Fiquei ali, com aquela cara de parvo, pensando que tava, ingenuamente, tentando conversar de igual pra igual, com um famoso quem, ao qual nem me lembrava mais o nome e que descobri, a modéstia lhe impediu de me alertar.


Foi assim, que descobri, da pior, ou melhor, forma possível, que um dos maiores designers do Brasil, era um cara muito simples, simpático, inteligente, atencioso e bem humorado.


Cada vez que ouço falar seu nome ou da Cadeira Mole, sua mais perfeita criação, penso que por alguns minutos conversei de uma forma franca, sincera e sem rodeios, com o grande Sérgio Rodrigues.


Isto me lembrou do enredo de uma novela com a Regina Duarte, do tempo em que ela era a Namoradinha do Brasil e eu assistia televisão. Mas essa já é uma outra história...


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